BASTIDORES DA POLÍTICA

Ala do PL vê prestação de contas de Flávio como fator decisivo para apoiá-lo

Promessa de transparência sobre recursos do filme 'Dark Horse' pesa na avaliação da bancada e pode definir apoio à candidatura presidencial do senador.

Publicado em 20/05/2026 às 15:05
Flávio Bolsonaro © Lula Marques/Agência Brasil

Após reunião da bancada do Partido Liberal (PL) com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na última terça-feira (19), uma ala do partido considerou que a promessa de prestação de contas do filme "Dark Horse" tornou-se um elemento crucial para apoiar o parlamentar em sua possível candidatura à Presidência da República, segunda apuração do Estadão/Broadcast.

Flávio afirmou à imprensa que solicita à sua equipe jurídica a apresentação detalhada dos valores investidos no longa-metragem no prazo de 30 dias. A iniciativa ocorre após o site The Intercept Brasil revela negociações entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, envolveu R$ 134 milhões para a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo as reportagens, R$ 61 milhões já foram repassados.

A divulgação de que um contrato celebrado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro e de que o fundo que recebeu os recursos é controlado por aliados dele serviu de base para governantes levantando suspeitas sobre possível uso de recursos públicos e eventual financiamento da estadia de Eduardo nos Estados Unidos.

Parlamentares governamentais pediram investigações sobre possíveis crimes como lavagem de dinheiro, tráfico de influência e evasão de divisas. Flávio, porém, nega qualquer irregularidade e afirma que os recursos não foram utilizados para custear a permanência do irmão no exterior.

Integrantes do PL confirmaram que Flávio "errou feio" ao não antecipar aos aliados seu envolvimento com Vorcaro, o que teria permitido articular uma defesa mais consistente. Também apreciei que o senador deveria ter admitido a relação com o banqueiro quando questionado sobre o filme, antes da revelação feita pelo Intercept.

Há ainda a percepção de que Flávio subestimou a gravidade dos contatos com o dono do Banco Master, por não considerar, à época, sua condição de pré-candidato à Presidência e por acreditar na influência do empresário. Segundo essa análise, o senador também teria minimizado a possibilidade de uma relação vir à tona e insistido em ocultar detalhes.

Por outro lado, pesa a favor de Flávio a impressão de que conseguiu convencer parte de seus apoiadores de que não houve má-fé na busca por patrocínio para o filme. A defesa da criação de uma comissão de inquérito no Congresso Nacional também reforça sua narrativa.

Outro ponto ressaltado é que a expectativa de queda mais acentuada nas pesquisas não se confirmou, ao menos segundo o levantamento da AtlasIntel. O forte sentimento “anti-Lula”, o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e o peso do patrocínio de Flávio como nome viável para o segundo turno.

Analistas dividem os impactos das revelações em dois campos: “criminal” e “moral”. O aspecto criminoso, ou seja, a possibilidade de envolvimento em infrações, é considerado o maior obstáculo ao apoio. Já a questão moral, relacionada ao pedido de recursos a Vorcaro, é vista como mais contornável.

As denúncias também repercutem entre parlamentares de outros partidos com eleitorado conservador. Um político expressivo do campo bolsonarista comparou a situação a uma torcida de futebol: críticas existem, mas a lealdade impede uma troca de lado.

No momento, atores da direita avaliam que a pressão sobre Flávio é mais intensa dentro da política que entre a população. Prefeitos, vereadores e outros parlamentares ainda analisam o custo de pedir votos ao filho de Bolsonaro, diante da possibilidade de novos desdobramentos.