INVESTIGAÇÃO FEDERAL

Empresária nega repasse de dinheiro de 'Careca do INSS' para Lulinha em depoimento à PF

Roberta Luchsinger afirma que nunca transferiu valores ao filho do presidente e diz desconhecer envolvimento de empresário com fraudes no INSS.

Publicado em 20/05/2026 às 15:31
Reprodução

Roberta Luchsinger , empresária, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira, 20, no inquérito que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Aos investigadores, ela afirmou que nunca repassou dinheiro a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente da República.

Roberta admitiu ter prestado serviços e recebimentos de pagamentos do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, mas explicou que sua atuação foi externa à regulação do mercado de canabidiol no Brasil. Ela declarou desconhecer qualquer envolvimento de Antunes com desvios de aposentadorias.

Como mostrou o Estadão, a PF apura se Lulinha foi sócio oculto do “Careca do INSS” em negócios relacionados ao canabidiol. A defesa do filho do presidente já confirmou que ele teve uma viagem a Portugal custeada por Antunes para prospectar negócios, mas negou a assinatura de contratos entre ambos.

Uma das linhas de investigação é se Roberta teria pagamentos divididos com Lulinha. Segundo registros apurados pela PF, ela recebeu R$ 1,5 milhão do empresário.

No depoimento, Roberta reiterou que Lulinha não prestou nenhum serviço sobre a regulação de canabidiol no Brasil e, por isso, não recebeu pagamentos do “Careca do INSS”. Ela confirmou apenas ter apresentado Lulinha ao empresário e destacou manter amizade com o filho do presidente há muitos anos.

Em nota, a defesa de Roberta afirmou que os esclarecimentos prestados derrubaram a tese acusatória.

"Roberta tem sido alvo de verdadeira campanha difamatória. Sua trajetória foi eclipsada de maneira bastante misógina e preconceituosa, sendo reportada como herdeira, amiga, sócia, representante, socialite ou ainda, mais comum, e de maneira pejorativa, como 'lobista'. Os esclarecimentos apresentados por meio de petição e ora oferecidos presencialmente desvelam por completo a tese de acusação definida inicialmente e divulgada seletivamente de forma sistemática. das apurações, sejam as investigações arquivadas em relação à sua pessoa, ante a demonstração da absoluta inexistência de qualquer conduta ilícita", afirmou, em nota, o advogado Bruno Salles.

O depoimento ocorre em um momento em que a Polícia Federal trocou o delegado que coordenou as investigações da Operação Sem Desconto.

Até então, o caso estava sob responsabilidade do delegado-chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF, que havia solicitadas medidas de investigação contra Lulinha, como a quebra do sigilo bancário.

A PF informou, em nota, que decidiu transferir a investigação para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (CINQ/CGRC/DICOR/PF), o que resultou na investigação do delegado responsável. Segundo a PF, a mudança visa dar maior estrutura e “potencializar recursos” para a investigação.

A alteração desagradou membros da oposição, que acusaram o governo de “interferir na autonomia da PF”. Para o líder da bancada do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), “não existe coincidência”. “Tiraram o delegado responsável pelo inquérito das fraudes do INSS bem no momento mais sensível da investigação, logo depois do pedido de quebra de sigilo bancário do filho mais velho do presidente”, afirmou. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, também solicita esclarecimentos à PF sobre a mudança.