ESCÂNDALO GIGANTE

Aldo Rebelo diz que João Caldas estava “muito nervoso” com investigação do Banco Master em Maceió; Veja vídeo

Por Redação Publicado em 20/05/2026 às 16:43
Aldo Rebelo acusa João Caldas de participação no esquema do IPREV

Ex-ministro afirma que substituição de sua pré-candidatura por Joaquim Barbosa teria relação com o temor de repercussões políticas da investigação sobre o aporte milionário do Iprev de Maceió no Banco Master; caso envolve a gestão do ex-prefeito JHC e já entrou no centro da disputa em Alagoas

A crise aberta no Democracia Cristã ganhou um novo capítulo explosivo. Depois de ser surpreendido pela movimentação do partido em favor da pré-candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa à Presidência da República, no lugar de sua postulação, o ex-ministro Aldo Rebelo reagiu com uma acusação pesada: para ele, a manobra comandada pelo presidente nacional do DC, o alagoano João Caldas, teria relação com o escândalo envolvendo o Banco Master em Maceió.

A troca no comando da pré-candidatura presidencial do DC foi confirmada pela sigla em nota assinada por João Caldas. Segundo a CNN Brasil, o partido anunciou Joaquim Barbosa no lugar de Aldo Rebelo após o ex-ministro classificar a articulação como uma “afronta” às relações políticas. A Veja também informou que, segundo João Caldas, a retirada de Aldo se deu pelo fraco desempenho nas pesquisas eleitorais.

Em declaração pública, Aldo Rebelo apresentou outra leitura. Ele afirmou que, em Alagoas, surgiu um escândalo ligado ao Banco Master, citando a compra de aproximadamente R$ 116 milhões — valor que reportagens recentes apontam como R$ 117 milhões — em títulos da instituição financeira pelo Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió, o Iprev. O aporte ocorreu durante a gestão de João Henrique Caldas, o JHC, filho de João Caldas.

Segundo apuração do Vero Notícias, a Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de investigação específica sobre o aporte de R$ 117 milhões feito pelo Iprev de Maceió no Banco Master durante a gestão de JHC. O Metrópoles também noticiou que a consultoria Crédito e Mercado, que assessorou o Iprev de Maceió, está na mira da PF em investigação sobre aplicações milionárias de institutos de previdência no Banco Master.

No vídeo, Aldo disse ter percebido nervosismo de João Caldas diante da possível repercussão eleitoral do caso em Alagoas. “A Polícia Federal abriu uma investigação e eu via que João Caldas estava muito nervoso”, afirmou. Segundo o ex-ministro, Caldas teria perguntado se o processo do Banco Master em Maceió poderia interferir em sua campanha ou pré-candidatura.

Aldo afirmou que respondeu negativamente por se considerar distante daquele universo, mas acrescentou: “Eu estava e estou distante desse universo, mas ele não”. Na sequência, fez uma afirmação ainda mais dura: disse que a tese em circulação seria a de que a venda dos títulos envolveria não apenas o ex-prefeito, mas também o próprio João Caldas. A acusação, no entanto, é apresentada por Aldo como interpretação política e deve ser tratada como declaração do ex-ministro, sem confirmação oficial até o momento.

O caso ganha peso porque JHC deixou a Prefeitura de Maceió em 4 de abril de 2026, em movimento associado à disputa eleitoral em Alagoas. O SBT News noticiou, naquela data, que o então prefeito renunciaria ao cargo mantendo em aberto se disputaria o Governo do Estado ou o Senado.

Na avaliação de Aldo, a investigação sobre o Banco Master já teria entrado na disputa estadual. Ele disse que a oposição estaria usando o escândalo nas eleições de Alagoas e que circularia um dossiê sobre negócios da família Caldas na Prefeitura de Maceió. A declaração amplia o conflito interno do DC e transporta a crise nacional do partido para o centro da política alagoana.

Aldo também levantou suspeitas sobre a escolha de Joaquim Barbosa. Para ele, a aproximação com um ex-ministro do STF poderia servir como uma espécie de sinalização política, especialmente porque a investigação sobre o caso Banco Master em Maceió pode tramitar no Supremo. “Provavelmente ele procurou algum tipo de proteção de um ex-ministro do Supremo porque essa investigação vai para o Supremo Tribunal Federal”, afirmou Aldo, sem apresentar provas públicas dessa acusação.

O presidente nacional do DC, João Caldas, por sua vez, tem defendido a escolha de Joaquim Barbosa como decisão política e eleitoral. Em entrevista repercutida pela Gazeta do Povo, Caldas comparou o ex-ministro do STF a Neymar, afirmando que o partido teria em sua “seleção” um nome de maior potencial eleitoral. Também disse que Aldo teve meses de exposição e não teria pontuado nas pesquisas.

O pano de fundo é o avanço nacional do caso Banco Master, que vem sendo debatido no Senado e em investigações sobre operações financeiras envolvendo fundos previdenciários. Em reunião da Comissão de Assuntos Econômicos, o senador Renan Calheiros voltou a tratar o tema como escândalo de grandes proporções, mencionando pressões, suspeitas e possíveis responsabilidades no processo de aprovação de medidas ligadas ao setor financeiro.

A fala de Aldo Rebelo, portanto, coloca João Caldas no centro de uma dupla crise: de um lado, a crise partidária nacional provocada pela substituição de sua pré-candidatura por Joaquim Barbosa; de outro, o desgaste político causado pela investigação sobre o aporte milionário do Iprev de Maceió no Banco Master, operação realizada durante a gestão de JHC.

Até o momento, não há decisão judicial definitiva apontando responsabilidade de João Caldas, JHC ou de dirigentes do Iprev no caso. As declarações de Aldo Rebelo devem ser compreendidas como manifestação política em meio a uma disputa interna no DC e no contexto de uma investigação ainda em andamento. O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.