Aldo Rebelo acusa João Caldas, pai de JHC, de buscar Joaquim Barbosa como tentativa de escudo no caso Banco Master
A crise interna no Democracia Cristã deixou de ser apenas uma disputa por candidatura presidencial e passou a expor, segundo Aldo Rebelo, uma guerra de bastidores envolvendo Alagoas, Supremo Tribunal Federal, Banco Master e o futuro político da família Caldas.
Depois de ser atropelado pela decisão do presidente nacional do DC, o alagoano João Caldas, de lançar o ex-ministro Joaquim Barbosa como pré-candidato à Presidência da República no lugar de seu nome, Aldo Rebelo subiu o tom e apresentou uma interpretação explosiva para a manobra: para ele, a articulação em torno do ex-presidente do STF não teria sido apenas eleitoral, mas também uma tentativa de buscar influência, proteção ou sinalização junto ao Supremo diante do avanço do escândalo do Banco Master em Maceió.
A fala de Aldo ocorre no momento em que a Polícia Federal pediu ao STF a abertura de investigação específica sobre o aporte de R$ 117 milhões feito pelo Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió, o Iprev, no Banco Master. O valor foi aplicado durante a gestão de João Henrique Caldas, o JHC, então prefeito da capital alagoana e filho de João Caldas. Segundo reportagem do Vero Notícias, o pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator de apurações ligadas ao caso Master, e envolve suspeitas de possíveis irregularidades no processo que autorizou o investimento.
É nesse ponto que Aldo Rebelo faz a conexão política mais dura. Segundo ele, João Caldas estaria “muito nervoso” com a investigação e teria demonstrado preocupação com o impacto do caso Banco Master sobre as eleições em Alagoas. Aldo afirma ainda que Caldas teria perguntado se o caso poderia atingir a campanha ou a pré-candidatura do partido.
A resposta de Aldo foi direta: ele disse estar distante do episódio. Mas, em seguida, apontou o dedo para João Caldas. “Eu estava e estou distante desse universo, mas ele não”, afirmou.
Na sequência, Aldo foi além. Disse que a operação envolvendo os títulos do Banco Master não atingiria apenas a gestão de JHC, mas também o próprio João Caldas. A declaração é grave e, até o momento, deve ser tratada como acusação política feita por Aldo Rebelo, sem decisão judicial definitiva que confirme responsabilidade do presidente nacional do DC ou do ex-prefeito de Maceió.
O centro da suíte está na suspeita levantada por Aldo sobre a escolha de Joaquim Barbosa. Para o ex-ministro, João Caldas teria procurado um ex-presidente do Supremo como forma de se aproximar de alguém com influência simbólica ou institucional sobre o ambiente do STF, justamente no momento em que o caso Banco Master chega à Corte.
“Provavelmente ele procurou algum tipo de proteção de um ex-ministro do Supremo porque essa investigação vai para o Supremo Tribunal Federal”, afirmou Aldo Rebelo.
A acusação transforma a escolha de Joaquim Barbosa em algo muito maior do que uma simples substituição de pré-candidato. Na leitura de Aldo, o movimento de João Caldas teria servido para tentar “estancar a sangria” política provocada pelo caso Banco Master, que ameaça contaminar o ambiente eleitoral de Alagoas e atingir diretamente JHC, provável candidato nas eleições de 2026.
O Democracia Cristã confirmou publicamente a pré-candidatura de Joaquim Barbosa ao Planalto no lugar de Aldo Rebelo. Segundo a CNN Brasil, o anúncio foi feito em nota assinada por João Caldas após Aldo repudiar a articulação e classificá-la como uma “afronta”.
A Gazeta do Povo também registrou que a filiação de Joaquim Barbosa abriu crise no DC e colocou em xeque a pré-candidatura de Aldo. De acordo com a publicação, dirigentes da legenda passaram a tratar Barbosa como opção presidencial sob o argumento de que Aldo não teria conseguido ganhar densidade eleitoral.
Mas Aldo Rebelo rejeita essa justificativa. Para ele, o argumento eleitoral seria apenas a versão pública de uma articulação movida por interesses mais profundos. O ex-ministro sustenta que a troca teria relação com o temor de João Caldas diante da investigação sobre o Banco Master e com a possibilidade de o escândalo alcançar a família Caldas no momento em que JHC se projeta para a disputa estadual.
JHC renunciou à Prefeitura de Maceió em 4 de abril de 2026 para disputar as eleições deste ano, mantendo em aberto se concorrerá ao Governo de Alagoas ou ao Senado. Com isso, o caso Banco Master ganha uma dimensão eleitoral inevitável: envolve recursos de aposentados e pensionistas, foi realizado durante sua gestão e agora chega ao STF em meio à montagem das chapas majoritárias em Alagoas.
Segundo reportagem reproduzida pelo Já é Notícia, a PF apura possíveis irregularidades no processo de autorização do investimento, incluindo suspeitas envolvendo a decisão atribuída ao Conselho do Iprev. A matéria também destaca que Maceió teria sido a única capital do país a realizar aporte no Banco Master, o que amplia a gravidade política do episódio.
A fala de Aldo, portanto, coloca João Caldas em uma posição delicada. Se antes a crise no DC parecia restrita à disputa entre Aldo Rebelo e Joaquim Barbosa, agora o ex-ministro tenta enquadrar a manobra como parte de uma estratégia de sobrevivência política em meio ao escândalo do Banco Master.
Na prática, Aldo sugere que João Caldas teria buscado no prestígio de Joaquim Barbosa uma espécie de escudo político-institucional. Não necessariamente uma proteção formal, mas uma sinalização: a de que o DC estaria ao lado de um ex-presidente do STF justamente quando o caso que envolve a gestão de seu filho passa a depender de decisões no Supremo.
A acusação é pesada, politicamente devastadora e juridicamente sensível. Por isso, precisa ser tratada como aquilo que é: uma declaração de Aldo Rebelo em meio a uma disputa interna partidária e a uma investigação ainda sem conclusão. Não há, até o momento, decisão judicial que aponte culpa de João Caldas, JHC ou dirigentes do Iprev.
Mesmo assim, a fala tem força política. Aldo Rebelo expôs uma ferida que o grupo de João Caldas tentava manter longe da crise nacional do DC: o caso Banco Master em Maceió deixou de ser apenas uma investigação financeira e passou a ser usado como arma de guerra eleitoral em Alagoas.
E, nas palavras de Aldo, o nervosismo de João Caldas teria uma explicação: a sangria do Banco Master pode estar apenas começando.