Debatedores divergem sobre ações do governo para conter preços dos combustíveis
Representantes das distribuidoras criticam imposto sobre exportação de petróleo criado pelo Executivo
Participantes de audiência pública da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados apresentaram opiniões divergentes sobre as medidas adotadas pelo governo federal para atenuar o impacto da alta dos combustíveis no Brasil.
Durante o debate realizado nesta quarta-feira (20), representantes do setor criticaram a criação do imposto sobre a exportação de petróleo pelo Executivo.
De acordo com eles, o aumento do preço do petróleo no mercado internacional já elevaria a arrecadação federal para um patamar superior aos R$ 40 bilhões previstos para custear subsídios ao diesel e à gasolina.
Segundo cálculos do representante do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Claudio Fontes Nunes, se o barril de petróleo permanecer em US$ 90 até o final do ano, a arrecadação do governo deve superar em R$ 45 bilhões o valor inicialmente previsto.
A estimativa considera receitas provenientes de royalties e participações especiais.
“O aumento da carga tributária para o setor é altamente injusto e desnecessário. Ele afasta novos investimentos”, afirmou Claudio Fontes Nunes.
Para ele, a medida reduz a previsibilidade do mercado brasileiro e prejudica a competitividade do país na disputa internacional por investimentos no setor petrolífero.
“Precisamos disputar esses investimentos com outras províncias petrolíferas mundiais e, para isso, precisamos ser um mercado previsível e confiável”, acrescentou.
Por outro lado, o representante do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), André Pereira Tokarski, discordou das críticas do setor.
Na avaliação dele, o imposto é necessário para regular a oferta de combustíveis no mercado interno.
“São medidas regulatórias, e não arrecadatórias. A Constituição prevê esse tipo de imposto diante de um cenário internacional adverso e imprevisível”, afirmou Tokarski.
Medidas
Com a alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, o governo federal adotou uma série de ações para reduzir o impacto dos reajustes ao consumidor.
Segundo o diretor do Ministério de Minas e Energia, Edie Andreeto Junior, entre as principais iniciativas estão o subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel e a redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins sobre combustíveis.
Além disso, o governo subsidia o gás de cozinha e criou uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para empresas aéreas.
De acordo com Edie Andreeto Junior, os reajustes dos combustíveis no Brasil ficaram abaixo dos registrados em outros países afetados pela guerra.
Segundo ele, o diesel acumulou alta de 17,7% desde o início do conflito, enquanto a gasolina subiu 5,9%. Em outros países, o diesel teria registrado alta de 48% e a gasolina, de 44%.