JUSTIÇA

'Tem alguma decisão do STF favorecendo o banco Master? Não que eu saiba', diz Barroso

Ex-presidente do STF afirma desconhecer decisões que beneficiem o Banco Master e destaca a importância de separar percepções individuais do papel institucional da Corte.

Publicado em 23/05/2026 às 11:25
Luís Roberto Barroso Mário Agra/Câmara dos Deputados

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, saiu em defesa da Corte neste sábado, 23, ao ser questionado sobre a percepção pública diante do envolvimento de ministros no caso Banco Master.

Após participar de um painel no Fórum Esfera 2026, em Guarujá (SP), Barroso destacou, durante coletiva de imprensa, que há fatores que contribuem para uma visão negativa sobre o tribunal. No entanto, afirmou não ter conhecimento de qualquer decisão do STF que tenha favorecido o banco.

As suspeitas relacionadas ao Banco Master envolvem repasses e transações que deveriam beneficiar familiares de ministros do Supremo, incluindo R$ 80 milhões ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes e R$ 6,6 milhões ligados a cotas de resort dos irmãos de Dias Toffoli .

“Há um conjunto de fatos que levaram a uma percepção negativa. Porém, primeiro é preciso não prejulgar e esperar que as investigações terminem”, afirmou Barroso. "Depois, é preciso fazer uma distinção entre o juízo que alguém faz sobre ministros individualmente e o papel institucional do Supremo."

Segundo o ex-ministro, as revelações não abalaram o papel institucional do Judiciário. Para ele, o tribunal segue tomando decisões importantes, com transparência, fundamentação e debates públicos de qualidade. Por isso, ressalta, é necessário evitar que “episódios pontuais contaminem a percepção” sobre a instituição e desmereçam sua função para o País.

"Tem alguma decisão do Supremo apoiando o Banco Master? Não que eu saiba. Portanto, por isso que eu falo: é preciso separar percepções individuais de comportamentos institucionais", prosseguiu Barroso. "Tanto quanto eu possa ver, não aconteceu nada de errado nas decisões do Supremo nessa matéria, ou em qualquer outra."

Barroso destacou ainda que o Supremo decide quase todos os temas relevantes da vida brasileira e, por isso, muitas vezes desagradou diferentes setores. Segundo ele, o protagonismo e a visibilidade da Corte fazem com que haja sempre alguém com um olhar crítico sobre o tribunal.

Recentemente, o Congresso utilizou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado para investigar as finanças de ministros e sugerir o indiciamento de magistrados. O Judiciário reagiu de forma incisiva, principalmente contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que foi alvo de pedido de investigação pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por abuso de autoridade.

Os repórteres viajaram a convite da Esfera Brasil.