JUDICIÁRIO

Fux antecipa voto e STF mantém prisões de pai e primo de Daniel Vorcaro

Com placar de 2 a 0, Supremo referenda decisão que mantém detenção de familiares do ex-dono do Banco Master, investigados por fraudes.

Publicado em 23/05/2026 às 11:39
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) © Foto / Fellipe Sampaio/Divulgação/STF

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), antecipou seu voto neste sábado, 23, e acompanhou o relator André Mendonça pela manutenção das prisões preventivas de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Os familiares do banqueiro foram alvos recentes da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para apurar fraudes no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025. Felipe foi preso em 7 de maio e Henrique, em 14 de maio.

A análise do caso ocorre em sessão virtual da Segunda Turma do STF. O relator André Mendonça votou pela manutenção das prisões na sexta-feira, 22. O julgamento, porém, foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, que agora tem até 90 dias para apresentar seu voto, postergando a conclusão do julgamento.

Com o voto antecipado de Fux, o placar está em 2 a 0 para referendar as decisões do relator, tanto em relação ao pai quanto ao primo de Daniel Vorcaro.

No voto, Mendonça destacou "fortes indícios de que os indivíduos integram uma complexa estrutura para a prática de crimes com profunda repercussão negativa na sociedade". Segundo o ministro, não há "outras medidas menos graves e ao mesmo tempo capazes de garantir a ordem pública, a aplicação da lei penal e o bom andamento da instrução criminal" que não a prisão preventiva.

Sobre Felipe Vorcaro, o relator endossou parecer do Ministério Público Federal, que apontou um "papel significativo" do investigado em transações financeiras "marcadas por elementos de ilicitude, em especial da lavagem de dinheiro". Mendonça afirmou que a liberdade de Felipe comprometeria diretamente a efetividade das investigações e a aplicação da lei penal.

Além de Mendonça, Fux e Gilmar Mendes, compõem a Segunda Turma os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli. Este último, porém, tem se declarado suspeito para julgar processos relacionados ao Banco Master, após ter sido relator do caso até fevereiro.