CASO BANCO MASTER

Mulher de João Caldas, Senadora Eudócia ataca Renan, mas redes cobram explicações sobre os R$117milhões do Iprev

Eudócia levou ao Senado acusações contra Renan baseadas em episódios de 2004 e 2007; nos comentários de um perfil criado pelo próprio grupo político da família Caldas, internautas recolocaram no centro do debate os R$ 117 milhões do Iprev Maceió

Por Redação Publicado em 27/05/2026 às 08:05
Senadora Eudócia, mulher de João Caldas, ataca Renan após senador escancarar o Caso do Banco Master em Maceió

A crise política provocada pela aplicação de R$ 117 milhões do Iprev Maceió no Banco Master ganhou mais um capítulo nesta terça-feira, com um discurso da senadora Dra. Eudócia Caldas na tribuna do Senado Federal. Mulher do ex-deputado federal João Caldas, uma das figuras mais conhecidas da política alagoana, e mãe do ex-prefeito de Maceió João Henrique Holanda Caldas, o JHC, a parlamentar usou o plenário para atacar o senador Renan Calheiros (MDB-AL), justamente no momento em que o caso Banco Master voltou ao centro do debate público em Alagoas.



A fala foi reproduzida nas redes sociais do grupo Caldas e gerou comentários de usuários. O detalhe político é que parte expressiva dos comentários analisados pela reportagem apareceu em um perfil de comunicação criado pelo próprio grupo político de João Caldas, ambiente que, em tese, deveria reunir apoiadores ou simpatizantes da família Caldas. Ainda assim, a reação não foi unânime. Pelo contrário: muitos internautas aproveitaram a publicação para cobrar explicações sobre o dinheiro dos aposentados e pensionistas de Maceió aplicado no Banco Master.

A manifestação de Eudócia ocorreu após uma nova ofensiva de Renan sobre o episódio envolvendo o fundo previdenciário da capital. Em entrevista a veículos de comunicação, o senador afirmou que as assinaturas utilizadas no processo de autorização da aquisição de títulos do Banco Master pelo Iprev teriam sido fraudadas. Segundo ele, o conselho do instituto, responsável por representar servidores, aposentados e pensionistas, não teria aprovado regularmente a operação.



A acusação é grave e ainda precisa ser apurada pelas autoridades competentes. O Iprev é uma autarquia municipal com estrutura administrativa própria, e as responsabilidades individuais por eventuais irregularidades dependem de investigação formal, análise documental e direito de defesa dos citados. Ainda assim, o caso ganhou forte repercussão política porque a operação ocorreu durante o período em que JHC comandava a Prefeitura de Maceió. O ex-prefeito renunciou ao cargo no dia 4 de abril.



Na tribuna, Eudócia procurou deslocar o debate para episódios antigos envolvendo Renan Calheiros. Sem tratar diretamente do mérito das acusações feitas pelo senador sobre o Iprev Maceió, ela retomou fatos atribuídos aos anos de 2004 e 2007. O primeiro marco citado por ela remonta a 22 anos; o segundo, a 19 anos, considerando este ano de 2026. A estratégia política foi clara: responder às cobranças atuais sobre o Banco Master com referências a controvérsias antigas envolvendo o adversário, que já superou todas as acusações feitas a ele.

O efeito, porém, foi ambíguo - e politicamente incômodo. Justamente em uma rede vinculada ao campo político de João Caldas, muitos comentários não compraram integralmente a narrativa de ataque a Renan e recolocaram o caso Banco Master no centro da discussão. Nos comentários reunidos pela reportagem, aparecem manifestações favoráveis à senadora, mas também uma sequência de cobranças sobre os R$ 117 milhões do Iprev, pedidos de investigação e críticas à tentativa de mudar o foco do debate.



Entre as manifestações críticas, internautas cobraram explicações sobre o dinheiro dos aposentados de Maceió. Um comentário perguntou: “E o dinheiro dos aposentados de Maceió no Master?”. Outro escreveu: “Esqueceu os 117 milhões do dinheiro do povo, perdidos para o Banco Master, foi?”. Também houve quem pedisse investigação federal: “Queremos a Polícia Federal para investigar a Prefeitura de Maceió”.

Outros comentários classificaram o discurso como tentativa de desviar a atenção. Um usuário afirmou que o ataque a Renan, feito “justamente agora”, quando o escândalo dos R$ 117 milhões voltou à tona, “diz muita coisa”. Outro escreveu que a fala parecia uma “cortina de fumaça” para tirar o foco do filho da senadora. Houve ainda quem perguntasse: “Cadê os 170 milhões do Iprev?”, em referência ao valor que alguns críticos passaram a citar ao somar outras aplicações questionadas.

A reação negativa se concentrou em um ponto: para esses internautas, o discurso de Eudócia não respondeu à pergunta principal que hoje domina a política maceioense - quem autorizou, com base em quais documentos e sob quais garantias, a aplicação milionária do Iprev no Banco Master?

O episódio também expôs a dimensão familiar da disputa política. Eudócia é mulher de João Caldas, ex-deputado federal com longa trajetória na política alagoana, e mãe de JHC, que deixou a Prefeitura de Maceió para se movimentar no cenário estadual. Nas redes, críticos relacionaram o discurso à defesa política do grupo familiar. Essa leitura aparece em comentários que questionam a ausência de explicações sobre o Banco Master e cobram que a família Caldas também responda às acusações feitas por adversários políticos.

O problema é que, mesmo em um perfil de comunicação ligado ao grupo de João Caldas, o tema voltou para Maceió. Mesmo entre comentários que atacaram Renan, o caso Banco Master continuou aparecendo como assunto inevitável. A aplicação dos recursos previdenciários, por envolver dinheiro destinado a aposentados e pensionistas, segue exigindo explicações públicas, técnicas e documentais.

Por cautela jurídica, é preciso registrar que não há, até o momento, decisão judicial definitiva estabelecendo responsabilidade individual de JHC, de dirigentes do Iprev, de conselheiros ou de qualquer agente político no caso. O ex-prefeito nega irregularidades e sua defesa tem recorrido à Justiça contra publicações que, segundo ele, associam indevidamente seu nome a supostos ilícitos.

Ainda assim, o desgaste político é evidente. A fala de Eudócia pretendia atingir Renan, mas acabou reacendendo o debate sobre o próprio Banco Master. Para parte significativa dos comentaristas, a tentativa de mudar o foco não conseguiu apagar a pergunta que permanece sem resposta convincente para servidores, aposentados e pensionistas de Maceió.

Quem autorizou a aplicação dos R$ 117 milhões? O conselho do Iprev aprovou regularmente a operação? As assinaturas citadas por Renan são autênticas? Houve parecer técnico? Quem indicou o investimento? Qual será o prejuízo real para o fundo previdenciário? E quem responderá se ficar comprovada qualquer irregularidade?

Enquanto essas respostas não aparecem, o caso Banco Master segue como um dos temas mais explosivos da política alagoana. E, agora, com a entrada direta de Eudócia Caldas no confronto, a crise ganhou mais um ingrediente: a tentativa de transformar uma cobrança sobre o Iprev em uma guerra de narrativas contra Renan Calheiros.

Nas redes, porém, inclusive em espaço de comunicação associado ao próprio grupo de João Caldas, a mensagem de parte do público foi outra: antes de mudar o assunto, é preciso explicar o dinheiro dos aposentados.