Ao lado de trabalhador da BR-319, Lula usa própria história para pedir que filhos de operário voltem à escola
Presidente falou com Antônio, um dos operários de obra na rodovia que liga Manaus a Porto Velho e gravou mensagem para Karina, Karen e Kleiton defendendo o estudo como caminho para independência, dignidade e melhoria de vida
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou uma conversa simples, à beira de uma obra pública, em um forte depoimento em defesa da educação. Em vídeo publicado nas redes sociais, Lula aparece ao lado de Antônio, trabalhador de uma obra na BR-319, rodovia federal que liga Manaus, no Amazonas, a Porto Velho, em Rondônia, e grava um recado direto aos filhos do operário: Karina, Karen e Kleiton.
A cena chamou atenção pelo tom pessoal, quase familiar. Durante o diálogo, o presidente contou que Antônio havia relatado preocupação com os filhos, que não estariam estudando. Lula, então, pediu o celular e decidiu falar diretamente com os jovens. O gesto, espontâneo e carregado de simbolismo, rapidamente se transformou em uma defesa pública da escola, da formação profissional e da educação como instrumento de mobilidade social.
“Eu tô aqui com o Antônio. O Antônio tá trabalhando na construção da BR-319. Então eu tava dizendo pra ele que é preciso os filhos dele estudarem”, afirmou Lula no início da gravação.
Em seguida, o presidente recorreu à própria trajetória para reforçar o recado. Lula lembrou que não tem diploma universitário, que deixou Pernambuco ainda criança, em 1952, quando sua mãe migrou com oito filhos para São Paulo em busca de sobrevivência, e que foi o primeiro filho dela a obter um diploma da escola primária e também um diploma de curso técnico pelo Senai.
A partir dessa memória pessoal, Lula vinculou educação, trabalho e conquista de dignidade. Disse que a profissão aprendida permitiu a ele ser o primeiro filho da mãe a ter casa, televisão e geladeira. A fala, embora simples, carregou um peso social importante: para milhões de brasileiros, estudar não é apenas acumular conhecimento, mas abrir uma porta concreta para melhorar de vida.
“Só pra vocês terem ideia do que é importante o estudo na vida da gente”, afirmou o presidente, dirigindo-se aos filhos do trabalhador.
O apelo ganhou ainda mais força quando Lula afirmou não acreditar que jovens, na idade de Karina, Karen e Kleiton, estejam fora da escola por falta de vontade. O presidente pediu que eles retomem os estudos e lembrou que o sonho de muitos pais é ver os filhos em uma condição melhor do que a deles.
“Voltem a estudar. Porque o orgulho do pai de vocês, do pai e da mãe, é ver os filhos estudando. É sonhar que o filho vai virar doutor”, disse.
Lula também aproveitou o momento para citar o Enem, cujas inscrições foram abertas nesta semana e seguem até o dia 5 de junho. O presidente lembrou que quem já concluiu o ensino médio pode se inscrever no exame e tentar uma vaga no ensino superior. Para quem ainda não terminou essa etapa, o recado foi direto: voltar à escola, concluir o ensino médio e não abandonar o futuro.
“Se você tem o ensino médio, se inscreva no Enem e faça. Se você passar, você vai estudar de graça. Se você não tem o ensino médio, pelo amor de Deus, volta a estudar, faça o ensino médio”, afirmou.
O trecho mais contundente do vídeo veio quando Lula resumiu sua visão sobre o papel da educação no Brasil. “Quem não estudar não tem futuro nesse país”, disse o presidente, ao defender que o estudo permite ganhar melhor, ajudar a cuidar dos pais, conquistar independência e andar de cabeça erguida.
A frase dialoga com uma realidade dura do país: a evasão escolar ainda compromete a trajetória de muitos jovens, sobretudo nas famílias de baixa renda. Ao transformar a história de Antônio e dos filhos em mensagem pública, Lula deu rosto humano a um problema nacional. Não falou apenas de números, vagas ou programas; falou de família, sonho, trabalho e futuro.
No vídeo, o presidente também pediu que os jovens tenham orgulho do pai e da mãe. Ao lado de Antônio, trabalhador da rodovia, Lula lembrou que todo pai sonha que os filhos saibam mais, ganhem mais e vivam melhor. A fala valorizou o esforço de quem trabalha pesado e, ao mesmo tempo, colocou sobre os jovens a responsabilidade de não desperdiçar a chance de estudar.
“Todo pai sonha que o filho e a filha estejam melhor do que eles, ganhem mais do que eles, saibam mais do que eles”, declarou.
Ao final, Lula fez um pedido em tom direto, misturando conselho, cobrança e afeto: “Parem de preguiça e voltem a estudar. É um pedido do Presidente da República”.
A gravação feita em um trecho da BR-319, no coração da Amazônia, acabou ultrapassando o contexto da obra. O vídeo não tratou apenas de estrada, infraestrutura ou agenda presidencial. Tratou de um tema mais profundo: a possibilidade de o estudo mudar o destino de uma família.
Ao falar com Karina, Karen e Kleiton, Lula falou também com milhares de jovens brasileiros que deixaram a escola, adiaram sonhos ou passaram a desacreditar do próprio futuro. O recado foi simples, mas forte: voltar a estudar ainda é uma das formas mais concretas de quebrar ciclos de pobreza, ampliar oportunidades e construir uma vida com mais independência.
No fim, a imagem de Antônio ao lado do presidente sintetizou a mensagem. Um pai trabalhador, em uma obra pública, ouvindo do chefe da Nação aquilo que muitos pais repetem dentro de casa: estudem, porque o futuro de vocês pode ser maior do que o nosso.