Lula reage com irritação após EUA classificarem PCC e CV como terroristas, diz mídia
Medida contra facções foi anunciada após reunião entre Flávio Bolsonaro, Trump e Rubio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou preocupação após o governo dos Estados Unidos anunciar a inclusão das principais facções criminosas brasileiras na lista de organizações terroristas.
A medida foi divulgada por Washington depois de uma reunião entre o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, o presidente norte-americano, Donald Trump, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Segundo informações publicadas pelos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo nesta sexta-feira (29), Lula recebeu a notícia durante um encontro com integrantes de seu gabinete na noite passada.
De acordo com os relatos, o presidente reagiu com irritação e determinou a criação imediata de um grupo de trabalho envolvendo os ministérios das Relações Exteriores, da Fazenda e da Justiça para avaliar os impactos da decisão americana.
Enquanto isso, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, criticou a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas, que já contempla cartéis de outros países da América Latina.
"A segurança pública é uma questão fundamental. A cooperação internacional é bem-vinda, mas é inaceitável que essa colaboração seja usada como pretexto para intervenção estrangeira", afirmou Amorim.
Embora a declaração não tenha sido divulgada oficialmente pelo Palácio do Planalto, ela é vista como um reflexo da posição do governo brasileiro diante da decisão de Washington.
Flávio Bolsonaro comentou o anúncio logo após retornar de Washington, afirmando que sua viagem teve papel decisivo para a medida adotada pelos Estados Unidos.
"Durante minha viagem como pré-candidato à presidência, fizemos mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e Lula fizeram em 17 anos de governo. Enquanto Lula se ajoelhava diante de Trump para pressionar pelo CV e pelo PCC, eu fui a Washington trabalhar para que eles fossem classificados como terroristas. Agradeço ao presidente Donald Trump", declarou.
A iniciativa do governo norte-americano também foi elogiada por outros nomes ligados ao campo conservador e cotados para a disputa presidencial, entre eles os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado.