MEIO AMBIENTE

Lula anuncia medidas para ampliar áreas protegidas e recuperar vegetação nativa

Pacote inclui criação e ampliação de unidades de conservação, sanção de política para a Caatinga e novos recursos para ações ambientais

Por Agência Brasil Publicado em 10/06/2026 às 20:45
Lula participa de cerimônia sobre ações ambientais no Palácio do Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira (10), no Palácio do Planalto, em Brasília, um conjunto de iniciativas voltadas à preservação e proteção dos biomas brasileiros e ao enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas. A cerimônia fez referência ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.

Entre as medidas, o presidente assinou decretos para criar novas unidades de conservação e ampliar áreas protegidas já existentes; sancionou a Lei da Política Nacional para Recuperação da Caatinga; e assinou decreto que simplifica e agiliza os repasses do Fundo Nacional do Meio Ambiente para estados e municípios, com foco na prevenção e no combate a incêndios florestais.

Durante o evento, Lula afirmou que o país se prepara de forma antecipada para enfrentar possíveis queimadas e desastres climáticos.

“Pela primeira vez, a gente está saindo na frente, na luta para combater as possíveis queimadas que virão, porque a perspectiva é de que o El Niño vai ser muito violento, e de que a gente pode ter mais desastres climáticos. Pela primeira vez, nós estamos preparados antecipadamente para enfrentar essa situação”, frisou Lula.

Para o presidente, a cerimônia no Palácio do Planalto mostra que “o Brasil passa a ser um país com mais credibilidade no mundo para cuidar da questão ambiental.”

O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, produzido pelo MapBiomas, registrou que, em 2025, o país ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares desmatados, com 984,7 mil hectares, fato considerado inédito.

Segundo o governo, novas unidades de conservação poderão contribuir para conter o desmatamento. Lula assinou decretos para a criação do Parque Nacional do Tanaru, em Rondônia, e da Área de Proteção Ambiental do Paleocanal do Rio Tocantins, no Pará.

Também foram ampliados os parques nacionais da Serra das Confusões e de Sete Cidades, no Piauí. As medidas ampliam a proteção de ecossistemas estratégicos e fortalecem o Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

Queda no desmatamento

De acordo com o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a redução do desmatamento ocorreu em diferentes biomas. Segundo ele, “na Amazônia, a diminuição foi de 50% e segue caindo. No Cerrado, foi de 32%; e no Pantanal, 63%.”

O ministro afirmou que, desde 2023, “o Brasil retomou a governança ambiental e colocou a questão climática e ambiental no centro das políticas públicas nacionais.”

“Saímos de um período de desestruturação institucional para reconstruir as capacidades do Estado, fortalecer os órgãos ambientais, recuperar instrumentos de planejamento e restabelecer a coordenação entre o Governo Federal, os estados, os municípios e a sociedade. Mas fizemos mais do que reconstruir a estrutura do Estado. Consolidamos a compreensão de que a política ambiental não pode ser tratada como tema do lado”, disse Capobianco.

Mais investimentos

Durante o evento, foram anunciados investimentos de R$ 2 bilhões para ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Também foram assinados atos que destinam financiamento de R$ 834 milhões do Fundo Clima para empresas e organizações da sociedade civil que apresentaram projetos de restauração da vegetação nativa. Os recursos reembolsáveis são administrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para a diretora socioambiental do banco, Tereza Campello, o financiamento representa um marco.

“Além de enfrentar o desmatamento, nós estamos reconstruindo as nossas florestas. E isso é uma coisa que ninguém está fazendo no mundo como nós estamos fazendo. Esses R$ 834 milhões vão gerar R$ 3 bilhões, porque tem dinheiro das empresas que está entrando também para restaurar, para reconstruir nossas florestas”, assinalou a diretora.

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído em 1972 pela Organização das Nações Unidas durante a Conferência de Estocolmo, na Suécia, considerada o primeiro grande evento da ONU sobre o meio ambiente.