André do Prado é lançado ao Senado em ato com Tarcísio e lideranças do PL
Presidente da Alesp pediu união da direita e afirmou que seguirá orientação de Eduardo Bolsonaro nas pautas bolsonaristas
O deputado estadual André do Prado (PL) foi lançado neste sábado, 20, em um ato em Garulhos, como pré-candidato ao Senado por São Paulo na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em meio à divisão no bolsonarismo provocada por sua escolha, ele reuniu lideranças da direita, defendeu a união do grupo e disse que será “orientado” por Eduardo Bolsonaro para honrar pautas do campo bolsonarista.
Prado, presidente da Assembleia Legislativa paulista (Alesp), foi escolhido por Eduardo como pré-candidato a senador, já que o próprio ex-deputado não poderia concorrer ao cargo por estar em autoexílio nos Estados Unidos e enfrentar processos no Brasil que o tiraram da disputa. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu disputar como suplente do colega.
Apesar das críticas de parte do bolsonarismo, Prado conseguiu reunir alguns dos nomes mais expressivos da direita no ato deste sábado. Subiram ao palanque o pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), que também é pré-candidato ao Senado por São Paulo.
Também participaram do evento o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), além de outros prefeitos e deputados paulistas.
Em seu discurso, Prado reconheceu de forma indireta a divisão causada por sua escolha e pediu unidade no campo da direita. “Devemos jogar como um time para poder vencermos as eleições e cuidar de São Paulo e do Brasil”, afirmou.
Eduardo participou do ato por videochamada e reafirmou apoio ao colega. “Estou sabendo aí que tem uma plateia que, na verdade, é uma constelação de políticos. Nosso amigo Flávio, o governador Tarcísio, Derrite, que junto com André do Prado também será nosso próximo senador”, disse.
Prado retribuiu o gesto ao afirmar que a vaga deveria ser de Eduardo. “Era ele que estaria disputando essa vaga no Senado, mas pode ter certeza, Flávio, de que o Eduardo está nos vendo dos Estados Unidos e eu vou honrar todas as pautas da direita com o Eduardo nos orientando”, declarou.
Tarcísio também discursou durante o ato. O governador atribuiu feitos de sua gestão ao trabalho de Prado na Alesp e convocou os apoiadores presentes a “vencerem a guerra das redes sociais”. Flávio, por sua vez, iniciou sua participação com a “dancinha” que vem fazendo em suas atividades de pré-campanha. Prado o acompanhou na dança e recebeu elogios do pré-candidato à Presidência.
A ala mais ideológica do movimento viu na escolha de Prado uma concessão à velha política e ao Centrão. O deputado estadual tem forte ligação com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A expectativa da ala mais radical do partido era de que o representante da legenda na disputa ao Senado fosse o deputado estadual Gil Diniz, o deputado federal Mário Frias ou o vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo de Mello Araújo.
Nomes como o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) e Fábio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) no governo Jair Bolsonaro, fizeram críticas públicas à escolha de Prado por considerá-lo um nome de Valdemar. As queixas da militância se intensificaram após Eduardo ser anunciado como suplente do agora pré-candidato, movimento interpretado como uma subordinação direta ao presidente do PL.