SENADO

Alcolumbre pauta PEC com impacto bilionário enquanto reunião com Lula segue indefinida

Equipe econômica vê custo de R$ 30 bilhões em dez anos; governo tenta destravar pautas como PEC da Segurança e fim da escala 6x1

Por Estadao Conteudo Publicado em 29/06/2026 às 22:04

A nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que projetos de interesse do Palácio do Planalto na Casa só devem avançar depois de uma conversa entre ele e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Na primeira reunião com Lula desde que assumiu o posto antes ocupado por Jaques Wagner (PT-BA), Teresa reforçou a avaliação de ministros que defendem uma reaproximação entre o chefe do Executivo e Alcolumbre.

O presidente do Senado incluiu na ordem do dia desta terça-feira, 30, a votação em plenário da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias.

A equipe econômica classifica a medida como uma “pauta-bomba”, por estimar impacto de cerca de R$ 30 bilhões nas contas públicas ao longo de dez anos.

No dia 10, o Senado já havia aprovado o projeto de renegociação das dívidas do agronegócio. Segundo os ministérios da Fazenda e do Planejamento, o impacto da lei pode chegar a R$ 139,8 bilhões em 13 anos, sendo R$ 22,4 bilhões em 2027.

Enquanto isso, Alcolumbre mantém sem votação a PEC da Segurança, aprovada em março pela Câmara. A proposta prevê a destinação de recursos de bets e o uso de parcelas do fundo social do pré-sal para financiar a área.

O senador também ainda não encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça a PEC que trata do fim da escala de trabalho 6x1. A proposta já foi aprovada pela Câmara, mas Alcolumbre tem afirmado que o tema enfrenta resistências de empresários, não deve ser discutido “de afogadilho” e deve ficar para depois das eleições.

A pauta da segurança pública e a mudança na jornada de trabalho, com dois dias de descanso por semana, são bandeiras da campanha de Lula à reeleição. Por isso, o Palácio do Planalto atua para que as votações avancem.

A relação entre Lula e Alcolumbre piorou desde o fim de abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Os dois não conversam há dois meses. Jaques Wagner tentava atuar como interlocutor, mas deixou a liderança após a Polícia Federal identificar ligações dele com o Master. O então líder resistia a entregar o cargo por avaliar que a saída poderia ser vista como “confissão de culpa”, mas foi pressionado pelo PT.

No Palácio do Planalto, a avaliação foi de que a permanência de Wagner associava Lula ao mesmo escândalo que a campanha quer vincular ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado no texto original como principal adversário do presidente.

Nos bastidores, Alcolumbre ainda afirma que Lula poderá sofrer nova derrota caso indique novamente Messias ao STF, como tem anunciado. Amigo de Rodrigo Pacheco (PSB), nome que defendia para a vaga na Corte, Alcolumbre fez campanha contra a indicação de Messias. A última rejeição pelo Senado a um indicado presidencial para o STF havia ocorrido em 1894, no governo de Floriano Peixoto.

Em publicação nas redes sociais, Teresa Leitão informou que se reuniu com Lula ao lado do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, para tratar dos “próximos passos” destinados a garantir o avanço das pautas de interesse do governo.

Em nota, a senadora disse que atuará para fortalecer a articulação entre o Palácio do Planalto, a base aliada e os parlamentares, especialmente líderes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, buscando a construção de consensos e o avanço das pautas do governo. Ela citou como exemplos o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública.

Apesar das tentativas de aproximação, Lula ainda não marcou encontro com Alcolumbre. Até agora, nenhuma reunião foi agendada entre os dois, embora haja expectativa de que ela possa ocorrer em breve.