Caiado ganha visibilidade com críticas a Flávio Bolsonaro, revela levantamento
Ex-governador de Goiás intensifica ataques ao senador e pré-candidato à Presidência.
A estratégia do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) de subir o tom contra o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o volume de menções ao seu nome nas redes sociais crescer 446,3% na média dos últimos cinco dias. É o que mostra levantamento da AP Exata obtido com exclusividade pelo Estadão . Segundo a consultoria, o aumento da exposição do pré-candidato do PSD não foi acompanhado por um crescimento proporcional das menções negativas.
Até então mais comedido nas críticas ao senador, o ex-governador de Goiás passou a fazer uma série de ataques ao adversário bolsonarista nos últimos dias. Disse que Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são “farinha do mesmo saco”, classificados como “inaceitáveis” a proposta de adiar o tarifaço para depois das eleições e afirmou que a candidatura do senador está “afundando”. No sábado, Caiado também criticou a carta em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reafirma apoio à candidatura do filho.
“O eleitor não quer um presidente que precisa de aval constante de outra liderança; quer alguém capaz de conduzir o país por conta própria”, escreveu Caiado, afirmando ainda que “a liderança não se herda, se demonstra”.
Uma mudança de postura, que contrasta com a cautela imposta pelo ex-governador goiano diante das revelações sobre a relação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro , levou a um salto na visibilidade do pré-candidato do PSD, que tem o baixo nível de conhecimento como uma das principais barreiras à sua candidatura.
No domingo, 12, segundo dados da AP Exata, Caiado foi o segundo nome mais relatado nas redes entre os presidenciáveis, com 26,2% do volume de menções, atrás apenas de Lula, com 34,3%, e à frente de Flávio, que registrou 25,6%. O ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) apareceu com 4,8% e Renan Santos , da Missão, com 4,7%.
Na média dos últimos cinco dias, o volume de menções a Caiado cresceu 446,3%, passando de 2,85% para 15,57%. No mesmo período, a taxa de menções positivas recuou apenas 4,9 pontos porcentuais, para 45,7%.
“A redução é pequena diante do crescimento da exposição, uma vez que as menções negativas aumentaram em proporção muito inferior ao volume total, diminuem resiliência da imagem, mesmo sob maior exposição”, diz Sergio Denicoli , CEO da AP Exata e cientista de dados. “O avanço mostra que Caiado conseguiu furar a polarização, multiplicar sua exposição, sem sofrer desgaste proporcional. Mostra também que ele iniciou um processo de diálogo maior com públicos do centro e também com reuniões mais moderadas da direita”, acrescenta o especialista.
Segundo Denicoli, o crescimento de Caiado nas redes está diretamente ligado à estratégia, empregado entre os dias 6 e 11 de julho, de intensificar os ataques a Flávio e disputar de forma mais direta a liderança da direita. Um dos episódios de maior repercussão, afirma, foi a declaração em que o ex-governador comparou o senador a um "Peru de Natal" que Lula estaria mantendo vivo no primeiro turno para derrotar no segundo.
Segundo o cientista de dados, a intervenção de Caiado contra Flávio desencadeou uma ocorrência bolsonarista nas redes, com militantes criticando principalmente a escolha do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab , como seu vice, o que seria uma demonstração de adesão ao Centrão e distanciamento da "raiz".
“O efeito, porém, tem sido limitado porque essa narrativa permanece especializada na base mais fiel a Flávio, enquanto Caiado também é mencionado por conservadores insatisfeitos com o bolsonarismo, por perfis que o apresentam como alternativa mais competitiva e por governantes específicos em repercutir suas críticas à família Bolsonaro”, afirma Denicoli.
O CEO da AP Exata diz ainda que o anúncio de Kassab como vice-aumentou a relevância política da candidatura e ajudou a manter Caiado no centro da disputa presidencial nas redes. Na avaliação dele, a exclusão ao dirigente partidário é mais restrita à bolha bolsonarista, sem grande apelo entre o público geral.