MP solicita investigação do TCU sobre Valdemar e Cunha por emendas irregulares
Ministério Público pede apuração sobre a atuação de ex-deputados em esquemas de direcionamento de verbas.
O Ministério Público (MP) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu que a Corte investigue o esquema apontado pela Polícia Federal (PF) em que os ex-deputados Valdemar Costa Neto , presidente do PL, e Eduardo Cunha , ex-presidente da Câmara, são apontados como envolvidos no direcionamento irregular de emendas parlamentares.
O MP pede que o TCU apure a existência de estrutura paralela na Câmara dos Deputados para viabilizar a destinação, operacionalização e a aplicação de recursos de emendas sob interesses privados ou político-pessoais.
No sábado, 11, e no domingo, 12, o ministro Flávio Dino , do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou bens dos ex-deputados por entender que a dupla agia como influência "irregular" sobre verbas em 2025 por não exercerem mandato parlamentar no momento em que teria "decidido" o direcionamento dos recursos.
Segundo o pesquisador da Operação Transparência , da PF, Valdemar e Cunha se valiam da estrutura administrativa da Câmara e de registros formais em nome de parlamentares para direcionar os recursos de acordo com seus interesses.
A suspeita é que os dois utilizaram a mesma operadora dentro da Casa para viabilizar o esquema: Mariângela Fialek , ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), conhecida como “Tuca”.
O subprocurador-geral, Lucas Furtado , argumenta que os fatos revelados pela investigação indicam possíveis irregularidades na gestão e fiscalização de recursos públicos federais, matéria sujeita à competência do TCU. Por isso, pede que a Corte avalie eventual responsabilidade de agentes públicos e privados envolvidos no caso, além da existência de dano ao erário decorrente da destinação das verbas.
A defesa de Valdemar Costa Neto classificou a decisão como baseada em "premissas frágeis, inferências subjetivas e em uma criminalização indevida da atividade político-partidária".
Já a defesa de Eduardo Cunha disse ter tomado conhecimento da decisão pela imprensa, sem ter sido previamente intimada ou ouvida no âmbito da investigação. Os advogados sustentam que o ex-deputado não apresentou nem formalizou nenhuma das emendas mencionadas, já que elas foram oficialmente indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados.
A representação do MP junto ao TCU também pede que a Câmara dos Deputados seja oficiada para prestar esclarecimentos sobre os mecanismos de controle interno relacionados à tramitação e ao acompanhamento das emendas citadas na investigação, bem como sobre a atuação dos servidores referenciados pela PF.