POLÍTICA

Lula critica interferência externa durante convenção de Haddad

Presidente enfatiza a soberania das eleições brasileiras em evento de apoio ao ex-ministro da Fazenda em Campinas.

Por Estadao Conteudo Publicado em 25/07/2026 às 16:12
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva © AP Photo / Bruna Prado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o palco do evento que oficializou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo neste sábado, 25, para rejeitar interferências externas nas eleições brasileiras.

"Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições", afirmou Lula, em Campinas (SP). "Quem quiser, de fora, vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são os 157 milhões de eleitores."

Sem mencionar o nome de Donald Trump, o petista enviou recados ao presidente americano, afirmando que não é afeito a bravatas. Ele declarou que o "aviso está dado" e que o Brasil é soberano, desejando manter relações com todos os países.

O ato também contou com elogios à "qualidade" da chapa paulista, formada por quatro ex-ministros. Lula pediu que os eleitores comparem as "biografias" dos candidatos e fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição.

Importância do Senado

Prestes a disputar sua sétima eleição, o presidente destacou a importância da eleição ao Senado, reiterando que contará com as candidatas Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, e Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, para ajudar a governar o País. "Porque a gente vai ter muito problema. A política está apodrecida", disse.

Haddad e o favoritismo de Tarcísio

Embora os petistas reconheçam o favoritismo de Tarcísio em São Paulo, incentivaram a militância a se engajar na campanha para desconstruir a atual gestão estadual e divulgar as realizações do governo Lula.

Críticas direcionadas à gestão Tarcísio incluíram as privatizações da Sabesp e do transporte sobre trilhos, bem como o aumento da criminalidade, especialmente em relação aos feminicídios. "Tanto a Sabesp quanto o metrô e a CPTM foram entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade", afirmou Haddad. Ele ainda destacou que a privatização da Sabesp resultou em aumento nas contas de água e em falta de abastecimento nos lares paulistas. "Quando a água chega, chega suja", enfatizou o petista, que tentará o governo paulista pela segunda vez.

Haddad, que foi o responsável pela área econômica do governo Lula até março, iniciou seu discurso elogiando os resultados econômicos do governo federal, apontando o baixo índice de desemprego e mencionando que São Paulo cresceu abaixo da média nacional recentemente.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que terá papel ativo na campanha de Haddad, lembrou que o ex-ministro foi o "amálgama" da sua união com Lula, em 2022. Alckmin descreveu a gestão Tarcísio como "bolsonarismo envergonhado" e enfatizou que São Paulo não deseja a "prepotência e arrogância daquelas marteladas", referindo-se às ações do governador em leilões.

Desafios no interior paulista

A escolha por oficializar a candidatura de Haddad em Campinas simboliza a prioridade do ex-ministro em alcançar o eleitorado do interior paulista, que historicamente resiste ao PT. Sem mudar esse cenário, os petistas acreditam que Haddad terá dificuldade em encurtar a diferença para Tarcísio.

A tarefa de Haddad não é apenas vencer o atual governador, mas garantir que Lula tenha um bom desempenho no maior colégio eleitoral do País. Em 2018, Haddad foi derrotado em São Paulo por 67,97% a 32,03%, enquanto em 2022, Lula perdeu por uma margem menor.