POLÍTICA

Marcelo Aro rompe com Zema e articula candidatura ao governo de Minas

Ex-secretário da Casa Civil pretende concorrer ao Palácio Tiradentes após divergências em alianças.

Por Estadao Conteudo Publicado em 30/07/2026 às 12:53
Romeu Zema Reprodução / Instagram

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), informou nesta quinta-feira, 30, que o ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP) comunicou sobre sua articulação para lançar uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes. Essa entrega representa um rompimento de Aro com o grupo político liderado por Romeu Zema (Novo), que conta com Simões como candidato à reeleição.

Inicialmente, Aro havia sido cogitado como candidato ao Senado na chapa do atual governador. Entretanto, ele se mostrou insatisfeito com a indicação do presidente da CPI do INSS, Carlos Viana (PSD), para a segunda vaga, o que acabou provocando uma ruptura. A reportagem entrou em contato com Marcelo Aro, mas ainda aguarda um retorno.

A candidatura de Aro, que já estava sendo discutida nos bastidores, ganhou força depois que os Republicanos decidiram retirar o apoio ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que era o favorito nas pesquisas, na quarta-feira, 30. Agora, Aro busca apoio dos Republicanos e do PL .

“O ex-secretário Marcelo Aro me comunicou hoje que está há algumas semanas negociando a candidatura dele ao governo do Estado (...) ele disse que eu deveria estar esperando isso, já que ele não estava satisfeito com a inclusão de Carlos Viana na minha chapa”, relatou o governador Mateus Simões nesta quinta-feira.

Simões expressou sua decepção em relação a Aro, destacando que o ex-secretário tinha sido seu aluno e foi 'abrigado' no governo após perder a eleição para senador em 2022. "Ele anunciou que está virando as costas para o projeto, não apenas para o meu, mas também para o governador Zema, que foi quem o trouxe para o governo inicialmente. Aro segue em diálogo com partidos como União, PP, PL e Republicanos", afirmou Simões após reunião com Aro pela manhã.

Segundo o governador, a possibilidade da candidatura de Aro ainda não é definitiva, visto que depende de uma resolução sobre a situação de Cleitinho. Apesar de os republicanos afirmarem que ele não será candidato, Cleitinho planeja conversar com o presidente da sigla, Marcos Pereira , para tentar reverter essa posição. “A ponderação de Marcelo Aro, neste momento, não envolve apenas a minha candidatura, mas se ele conseguirá o espaço que deseja do outro lado”, completou Simões.

Contando com o apoio do PL, Aro poderia se tornar o palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo maior colégio eleitoral do Brasil, e estaria disposto a ceder uma das vagas ao Senado ao deputado federal Domingos Sávio (PL).

No entanto, o PL ainda não decidiu se aceitará essa aliança ou se preferirá lançar um candidato próprio, como o ex-presidente da Fiemg Flávio Roscoe ou o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli .

Cabe aos Republicanos indicar a segunda vaga ao Senado, e uma das opções serias que Cleitinho sugeriu ao irmão, o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo (Republicanos), para ocupar o cargo.

Marcelo Aro foi uma das principais figuras durante o segundo mandato de Zema. Além de dirigir a Casa Civil, ele também chefiou a Secretaria de Governo , onde é responsável pelas relações políticas com prefeitos, mantendo contato com quase todos os 853 prefeitos do estado.

Ele deixou o governo em abril, cumprindo o prazo de desincompatibilização exigido para candidatos às eleições.

Ainda assim, Aro manteve aliados em cargos na administração, como o secretário de Governo, Castellar Neto . A expectativa agora é que Castellar e outros membros do grupo político de Aro peçam exoneração, oficializando o desembarque.

Marcelo Aro iniciou sua carreira política como vereador em Belo Horizonte em 2012 e, posteriormente, foi eleito deputado federal em 2014 e 2018. Depois de não conseguir se eleger senador há quatro anos, recebeu convite para integrar o governo de Zema. Um de seus irmãos dirige a Federação Mineira de Futebol (FMF) e Aro mantém forte influência na política de Belo Horizonte, liderando um grupo de vereadores conhecido como "Família Aro".