POLÍTICA

Lula conversa com Peña após fala sobre guerra; Paraguai convoca embaixador

Petista falou que vizinho 'invadiu' o Brasil durante confronto ocorrido entre 1864 e 1870

Por Redação ANSA Publicado em 30/07/2026 às 15:09
Lula e Peña conversaram por telefone após polêmica ANSA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com seu homólogo paraguaio, Santiago Peña, para discutir a repercussão de suas declarações sobre a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), feitas durante um discurso em prol de investimentos na área de defesa.

O caso provocou indignação e levou o governo do Paraguai a convocar o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para receber uma nota oficial de protesto.

As informações foram divulgadas na última quinta-feira (30) pelo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, em entrevista à imprensa.

De acordo com ele, o diplomata brasileiro participará de uma reunião na sexta-feira (31), às 12h (horário de Brasília), com a presença do vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, e de membros do Ministério das Relações Exteriores do país.

Lezcano confirmou que Lula e Peña "conversaram sobre esse delicado assunto" por telefone e enfatizou que o governo de Peña seguirá defendendo "os mais altos interesses do Paraguai em todas as instâncias".

Além da conversa entre os dois chefes de Estado, Lezcano informou que também tratou do tema com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante encontro em Lima, onde ambos participaram da cerimônia de posse da presidente do Peru, Keiko Fujimori, na última terça-feira (28).

A reação do governo paraguaio ocorreu após Lula declarar, na sexta-feira (24), durante um evento em Jacareí (SP), que o Paraguai "invadiu" o Brasil na Guerra do Paraguai. Para as autoridades do país vizinho, a fala reflete uma interpretação equivocada dos fatos históricos.

Logo depois, os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados do Paraguai repudiaram as declarações do presidente brasileiro, afirmando que elas "ferem a memória histórica" do país.

Os parlamentares ressaltaram ainda que a relação bilateral precisa ser pautada pelo "respeito mútuo, pelo diálogo e pelo reconhecimento responsável da história compartilhada".

A Guerra do Paraguai, conhecida no país vizinho como Guerra da Tríplice Aliança, é considerada o maior conflito armado da história da América do Sul. O confronto colocou o Paraguai contra a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai e teria provocado a morte de cerca de 70% da população do país.