IPREV–BANCO MASTER

Rui Palmeira cita documentos do STF, afirma que JHC consta na investigação e cobra explicações

Candidato a deputado federal sustenta que o levantamento do sigilo contraria a versão do ex-prefeito de que estaria fora da apuração sobre os investimentos do Iprev

Por Redação Publicado em 12/09/2026 às 19:36

O ex-prefeito de Maceió e candidato a deputado federal Rui Palmeira voltou a cobrar explicações de João Henrique Caldas, o JHC, sobre os recursos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) aplicados no Banco Master.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Rui afirmou que os documentos tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mostram que o possível envolvimento de JHC integra a investigação do caso.

“O ministro André Mendonça finalmente derrubou o sigilo da investigação do caso Master. E, no caso do Iprev Maceió, é oficial: o ex-prefeito JHC consta como investigado”, declarou Rui Palmeira.

A apuração relacionada aos investimentos do Iprev tramita no Supremo no âmbito da Petição 16.344/AL, sob a relatoria de André Mendonça, e está vinculada às investigações mais amplas da Operação Compliance Zero.

Rui lê trecho do processo

Durante o vídeo, Rui Palmeira leu um trecho da documentação que trata da posição formal ocupada por JHC perante a gestão do regime próprio de previdência de Maceió:

> “Além disso, os elementos colhidos indicam que o atual prefeito de Maceió, Sr. João Henrique Caldas, JHC, figura como responsável legal da unidade gestora perante o Ministério da Previdência Social e possui poder direto de nomeação e exoneração da cúpula do Iprev Maceió.”

O documento também registra que o Ministério Público Federal defendeu a remessa da investigação ao STF diante da conexão com as apurações relacionadas ao Banco Master e do “possível envolvimento” de JHC, que, na ocasião, ainda exercia o mandato de prefeito e possuía foro por prerrogativa de função.

Para Rui Palmeira, o conteúdo tornado público contradiz as declarações anteriores de JHC, que afirmou não ser investigado e sustentou que o Iprev possuía autonomia administrativa e financeira para decidir sobre os investimentos.

“JHC, você é investigado pela falcatrua do caso Iprev-Banco Master”, disparou Rui.

O termo “falcatrua” representa uma afirmação política de Rui Palmeira. A investigação ainda está em andamento, não havendo, até o momento, decisão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal de JHC.

Cobrança por manifestação

Rui também relacionou o caso aos R$ 117 milhões em recursos previdenciários que teriam sido aplicados em ativos vinculados ao Banco Master e cobrou um pronunciamento público do ex-prefeito.

“R$ 117 milhões que pertenciam aos aposentados de Maceió viraram pó. E a população alagoana clama para que agora, depois disso, você se manifeste”, afirmou.

O valor de R$ 97 milhões corresponde especificamente às duas aplicações em letras financeiras do Banco Master — R$ 80 milhões em dezembro de 2023 e R$ 17 milhões em maio de 2024. A cifra de R$ 117 milhões, mencionada por Rui Palmeira e em outras manifestações sobre o caso, considera um escopo mais amplo de recursos e operações questionadas.

A Polícia Federal investiga as circunstâncias do credenciamento do banco, das análises de risco e do processo decisório que resultou nos aportes. Entre os pontos examinados estão a atuação dos dirigentes do instituto, dos integrantes de seus órgãos internos e das consultorias envolvidas nas operações.

A existência da investigação e a menção ao possível envolvimento de JHC não representam condenação. Os documentos públicos, entretanto, demonstram que a posição institucional ocupada pelo então prefeito e seus poderes sobre a cúpula do Iprev foram considerados pelas autoridades durante a apuração.

JHC ainda não havia respondido à cobrança feita por Rui Palmeira até a publicação do vídeo. O espaço permanece aberto para sua manifestação.