ECONOMIA

Divergências sobre reajustes da aposentadoria marcam sabatina de economistas

Coordenadores econômicos de diferentes campanhas discutem a vinculação dos benefícios ao salário mínimo.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/09/2026 às 20:58
O ministro da Fazenda, Dario Durigan Reprodução / Agência Brasil

Em sabatina promovida pelos jornais Valor Econômico, O Globo e pela rádio CBN nesta terça-feira, 15, representantes da área econômica dos presidenciáveis divergiram sobre diversas propostas, entre elas, se o reajuste dos benefícios previdenciários deve ou não estar vinculado ao reajuste do salário mínimo.

O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, que representa a campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarou que não há atualmente qualquer discussão dentro do governo para desvincular os benefícios previdenciários do salário mínimo. "Não está em discussão. Lembrando que nessa gestão, fizemos um ajuste na valorização do salário mínimo para ficar compatível com o arcabouço fiscal", afirmou.

Por sua vez, o deputado federal Kim Kataguiri, representante da campanha de Renan Santos (Missão), destacou que faz parte da única candidatura que "tem coragem para fazer o que precisa ser feito". Ele enfatizou que é preciso não só desindexar os reajustes previdenciários dos valores do salário mínimo, mas também desvincular os valores destinados aos pisos de Saúde e Educação das receitas correntes líquidas. "Sem isso, vamos atropelar e esmagar qualquer capacidade de investimento e só teremos gasto", frisou.

O coordenador econômico da campanha de Romeu Zema (Novo), Carlos da Costa, indicou que a desvinculação da Previdência ao mínimo é, sim, uma possibilidade, mas que trata-se de uma escolha que cabe à população fazer. Ele destacou, contudo, a necessidade de reduzir o déficit previdenciário, sugerindo que é preciso uma nova reforma, aprofundando as mudanças já realizadas em 2019.

O coordenador econômico da campanha de Ronaldo Caiado (PSD), Roberto Brant, também manifestou concordância com a possibilidade de desvinculação. Ele comentou que é "até injusto" fazer com que eventuais ganhos de produtividade de trabalhadores da ativa sejam repassados a quem não faz mais parte da força de trabalho, ou seja, os aposentados.

O deputado federal Luiz Carlos Hauly, representando a campanha de Augusto Cury (Avante), indicou que uma das soluções para reduzir o déficit da Previdência é deslocar a atual tributação que ocorre na folha salarial para a Contribuição de Bens e Serviços (CBS), tributo que será estabelecido após a reforma tributária. Ele destacou, no entanto, que trata-se de uma proposta pessoal, e não de Cury.

Os organizadores da sabatina informaram que a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) também foi convidada, mas não enviou representantes para o evento.

Além disso, os coordenadores abordaram a meta de inflação, atualmente fixada em 3%. Durigan descartou qualquer mudança no alvo, afirmando que uma queda sustentável dos juros depende de responsabilidade fiscal e medidas de incentivo à poupança. Brant, por sua vez, avaliou que a meta pode ser ajustada futuramente para 3,5% ou 4%, mas que antes algum ajuste fiscal precisa ser consolidado.