ELEIÇÕES 2026

Lula fecha as duas vagas do Senado com Renan e Dr. Wanderley e escanteia Arthur Lira

Em Maceió, presidente pede votos explicitamente para Renan Filho ao Governo, Renan Calheiros e Dr. Wanderley ao Senado e explica que precisa eleger senadores de seu “time” para garantir maioria no Congresso

Por Redação Publicado em 25/09/2026 às 17:01
Arthur Lira fica fora do “time de Lula”, que fecha com Renan e Dr. Wanderley

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou poucas dúvidas sobre qual é a sua chapa em Alagoas. Diante do público que ocupou a Praça Marechal Deodoro, no Centro de Maceió, na noite desta quinta-feira (24), Lula pediu diretamente votos para Renan Filho ao Governo do Estado e para Renan Calheiros e Dr. Wanderley nas duas vagas destinadas ao Senado.
Na combinação eleitoral anunciada pelo próprio presidente, Arthur Lira ficou de fora.
Lula foi explícito ao ensinar ao eleitor como pretendia ver preenchida a urna em Alagoas: Renan Filho para governador, Renan Calheiros e Dr. Wanderley para o Senado e Lula para presidente.
“É isso: 15 governador, 151 senador, 156 senador e 13 para presidente da República”, afirmou.
O ato em Maceió reuniu Lula, Renan Filho, o governador Paulo Dantas, Renan Calheiros, Dr. Wanderley e outras lideranças da coligação. Segundo publicação da Tribuna Hoje, a organização estimou a presença de mais de 60 mil pessoas na Praça Marechal Deodoro.

Lula explica por que quer Renan e Wanderley no Senado
Mais do que simplesmente pedir votos, Lula dedicou parte de seu discurso a explicar por que considera essencial eleger senadores politicamente alinhados ao seu governo.
O presidente comparou a relação que mantém com governadores à força institucional de um senador. Segundo Lula, governadores precisam estabelecer interlocução com o governo federal para assegurar investimentos, convênios e grandes obras aos estados. Um senador, ao contrário, dispõe de mandato independente e exerce diretamente poder sobre a tramitação de projetos de interesse do Executivo no Congresso.
Foi nesse contexto que Lula usou uma expressão forte para descrever a autonomia do cargo.
“Um governador não cria nenhum problema pro presidente da República, porque normalmente o estado depende do governo federal para muita coisa. Agora o senador não; o senador ele vira Deus de mandato, ele vira Deus. E se ele for contra a gente, ele vai atrapalhar.”
Na sequência, Lula transformou a explicação política em pedido direto ao eleitorado:
“Se vocês vão votar em mim, pelo amor de Deus, vote nos senadores do meu time. Vota aqui para que eu tenha maioria e possa aprovar as coisas para vocês.”
Foi justamente nesse ponto que o desenho político apresentado pelo presidente ficou ainda mais evidente: os dois nomes que Lula colocou diante do eleitor alagoano foram Renan Calheiros e Dr. Wanderley.
Arthur Lira, também candidato ao Senado, não integrou a combinação de votos pedida pelo presidente no comício.

Renan Calheiros: experiência e peso no Senado
Ao pedir a renovação do mandato de Renan Calheiros, Lula aposta em uma relação política construída ao longo de décadas e em um parlamentar que ocupou alguns dos espaços de maior poder do Congresso Nacional.
Renan já presidiu o Senado Federal em quatro ocasiões e atualmente preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), uma das principais comissões permanentes da Casa. A composição oficial do Senado confirma Renan na presidência da CAE em setembro de 2026.
A relação entre Lula e Renan também se confunde, em diferentes momentos, com a articulação por investimentos federais destinados a Alagoas.
Entre os projetos associados à parceria política dos dois está o Canal do Sertão. Reportagem publicada às vésperas da visita presidencial relembrou a atuação de Renan para inserir a obra no Programa de Aceleração do Crescimento e ampliar a participação financeira da União no empreendimento.
No palco em Maceió, portanto, Lula não apresentou Renan apenas como candidato de uma coligação estadual. Colocou-o como um dos senadores que deseja ter ao seu lado em Brasília.

Dr. Wanderley: do Sertão para a medicina e agora para a disputa pelo Senado
A segunda escolha apresentada por Lula carrega uma trajetória bastante diferente da carreira parlamentar tradicional.
José Wanderley Neto, o Dr. Wanderley, nasceu em Cacimbinhas, no Sertão de Alagoas, e construiu sua vida profissional na medicina, especialmente na cirurgia cardiovascular. A biografia oficial da Assembleia Legislativa registra que ele é médico cirurgião cardiologista, professor do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de Alagoas, chefe de serviço de cirurgia cardiovascular e ex-secretário estadual de Saúde. Também exerceu o cargo de vice-governador de Alagoas em dois períodos.
A dimensão de sua carreira médica aparece em um número incomum: mais de 30 mil cirurgias realizadas ao longo de décadas de atividade profissional.
Em abril deste ano, Dr. Wanderley recebeu homenagem no II Congresso das Centrais de Transplantes do Nordeste. Na ocasião, foram destacadas suas mais de 30 mil cirurgias e sua participação em 58 transplantes cardíacos realizados em Alagoas e outros estados.
O próprio médico, ao lançar sua pré-candidatura ao Senado, resumiu a trajetória afirmando ter dedicado mais de 50 anos ao cuidado dos alagoanos e realizado “mais de 30 mil cirurgias”.
É essa experiência que chega agora à disputa pelo Senado: um médico nascido no interior alagoano, com uma carreira ligada à cardiologia, aos transplantes e à administração pública, colocado por Lula como o segundo nome de sua chapa para a Casa.

Arthur Lira fica fora da combinação de Lula
Politicamente, o trecho mais significativo do discurso talvez esteja justamente nos nomes que Lula escolheu pronunciar.
Há duas vagas em disputa para o Senado. Lula poderia limitar-se a pedir voto para presidente e governador ou fazer uma manifestação genérica em favor de sua coligação.
Fez diferente.
Pediu os dois votos.

Renan Calheiros e Dr. Wanderley.
A opção deixa Arthur Lira fora do desenho eleitoral apresentado pelo presidente aos seus apoiadores em Alagoas.
Dias antes do evento, já havia relatos na imprensa local de que Lula viajaria a Maceió para reforçar precisamente as candidaturas de Renan Filho, Renan Calheiros e Dr. Wanderley.
Na Praça Marechal Deodoro, essa posição deixou de ser apenas articulação de bastidor e foi pronunciada diante do eleitorado.

“Senadores do meu time”
A mensagem de Lula teve ainda um componente nacional.
Ao dizer que precisa eleger senadores de seu “time”, o presidente vinculou diretamente a eleição alagoana para o Senado à formação de maioria no Congresso Nacional.
É no Senado que passam projetos de lei, propostas de emenda à Constituição, indicações para tribunais superiores e outras matérias estratégicas para qualquer governo.
Por isso, Lula pediu que o eleitor que escolher seu nome para a Presidência mantenha, segundo sua orientação política, a mesma opção nas duas vagas para senador.
E, em Alagoas, indicou nominalmente quem considera integrantes desse grupo:
Renan Calheiros, 151.
Dr. Wanderley, 156.
Com o pedido feito diretamente pelo presidente, a passagem de Lula por Maceió terminou também com uma fotografia política bastante definida da reta final da campanha: Renan Filho para o Governo e Renan Calheiros e Dr. Wanderley para o Senado formam o núcleo da chapa que Lula apresentou aos seus eleitores em Alagoas.