Elida Miranda e integrantes de movimentos de mulheres preparam sessão pública “Feminicídio Zero”
De janeiro a julho de 2026, Ligue 180 registrou 9.521 atendimentos telefônicos em Alagoas, com um total de 1.058 denúncias encaminhadas
A deputada Elida Miranda recebeu representantes do movimento de mulheres nesta quarta-feira (30), na Assembleia Legislativa de Alagoas, para alinhar detalhes da sessão pública “Feminicídio zero: prevenção, proteção e articulação das políticas publicas para garantir o direito das mulheres à vida”, que deve acontecer após o período eleitoral.
Segundo Elida, que propôs a sessão atendendo à solicitação de representantes da Marcha das Mulheres em Alagoas, a ideia é ampliar o debate sobre a prevenção das mortes de mulheres e fortalecer a rede de proteção existente em Alagoas. “A discussão precisa partir do reconhecimento de que o feminicídio representa a expressão extrema da violência baseada em gênero e exige ações permanentes e articuladas do poder público e da sociedade”, ressalta Elida.
Dados do Governo Federal apontam que, somente de janeiro a julho de 2026, o Ligue 180 registrou 9.521 atendimentos telefônicos em Alagoas, com 1.058 denúncias encaminhadas, evidenciando a demanda por orientação, acolhimento e mecanismos de proteção.
Para Elida Miranda, a sessão deve ir além da análise dos casos de violência já ocorridos e discutir a capacidade de prevenção e resposta do Estado. “Precisamos olhar para toda a rede de proteção, identificar onde estão as fragilidades e discutir como podemos fortalecer a prevenção, a proteção das mulheres e a atuação integrada das instituições. O feminicídio não começa com a morte. Antes dele, muitas vezes, existem sinais, situações de violência e pedidos de ajuda que precisam ser reconhecidos e enfrentados”, alerta a deputada.
A parlamentar destaca ainda a importância de acompanhar a implementação, em Alagoas, das diretrizes do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, instituído pelo Decreto Federal nº 11.640/2023. A estratégia prevê atuação articulada entre União, estados e municípios e integração de políticas de segurança pública, Justiça, saúde, assistência social, educação, trabalho e autonomia econômica.
A iniciativa da sessão pública também dialoga com a Mobilização Nacional pelo Feminicídio Zero, que defende uma mobilização permanente da sociedade para prevenir as violências baseadas em gênero e evitar que elas tenham como desfecho a morte de mulheres.
“Estamos convidando para esta importante sessão pública representantes dos poderes Executivo e Legislativo, do Sistema de Justiça, órgãos de segurança pública, saúde e assistência social, municípios, universidades, movimentos de mulheres e organizações da sociedade civil, entre outros homens e mulheres, para discutirmos a estrutura e a cobertura da rede de atendimento, a integração entre os serviços, a aplicação dos recursos públicos e os mecanismos de prevenção e proteção”, informou Elida.