POLÍTICA NACIONAL

Renan Santos critica fuga de Flávio Bolsonaro e autoproclamação como presidente: “Oposição EAD”

Ex-candidato do Missão ironiza atuação na “terra do Mickey”, questiona liderança do senador e afirma que fará oposição a Lula permanecendo no Brasil

Por Redação Publicado em 28/10/2026 às 19:25
Renan Santos Reprodução

O ex-candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, criticou a saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos e a primeira versão da carta em que o senador se apresentou como presidente eleito, apesar da derrota nas urnas. Em vídeo, Renan classificou a atuação política pretendida pelo adversário no exterior como “oposição EAD” e afirmou que lideranças devem enfrentar no próprio país as consequências de suas decisões.

“Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD sendo feita lá dos Estados Unidos para atender, no fundo, ao interesse americano aqui”, declarou.

A referência a “presidente eleito” apareceu na primeira versão da carta de Flávio, divulgada por aliados nesta quarta-feira (28). Posteriormente, o senador publicou em seu perfil no X outro texto, no qual passou a se apresentar como “líder do Brasil”. Foram mantidas as acusações de fraude eleitoral e a intenção de comandar a oposição a partir dos Estados Unidos. A carta não apresentou evidências que comprovassem fraude ou alteração indevida do resultado.

Segundo o resultado anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos.

“Direto da terra do Mickey”


Ao questionar a decisão de Flávio de atuar politicamente fora do Brasil, Renan afirmou que o compromisso com um projeto exige disposição para enfrentar as dificuldades dentro do próprio país.

“Quando você acredita em algo, você luta na tua terra”, disse. Na sequência, ironizou a permanência do senador nos Estados Unidos: “Ele vai lutar direto da terra do Mickey, lá na Flórida”.

Renan também questionou a narrativa de exílio e descreveu a iniciativa como uma tentativa de organizar um governo paralelo. Para sustentar sua crítica, observou que o PL continua funcionando e participando das instituições brasileiras, com parlamentares exercendo seus mandatos.

O próprio partido de Flávio reconheceu o resultado presidencial. Em nota divulgada na segunda-feira (26), o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, aceitou o resultado proclamado pelo TSE, embora tenha defendido esclarecimentos sobre questionamentos relativos à disputa.

Na avaliação de Renan, a movimentação de Flávio não representa uma ameaça à democracia brasileira. O ex-candidato, entretanto, acusou a família Bolsonaro de continuar prejudicando o país por meio de sua atuação política no exterior.

Trump e interesses econômicos


Outro alvo da declaração foi a relação de Flávio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Renan afirmou acreditar que o apoio americano poderá desaparecer caso a aproximação deixe de atender a interesses políticos ou econômicos.

“O Trump não tem amigos. O Trump tem parceiros de negócios”, afirmou.

O dirigente do Missão também levantou a hipótese de que a atuação de Flávio no exterior favoreça pressões comerciais contra o Brasil. Ao desenvolver essa avaliação, mencionou possíveis tarifas sobre produtos brasileiros e interesses relacionados às terras raras. As referências foram apresentadas como cenários que ele considera possíveis, e não como medidas já anunciadas.

Na mesma quarta-feira, questionado sobre a declaração de Flávio, Trump afirmou que não pretendia se envolver no assunto. O presidente americano confirmou que o brasileiro recebeu autorização para entrar nos Estados Unidos e voltou a questionar a eleição brasileira, sem apresentar provas de irregularidades.

Referência à sabatina de Zanin


Renan também apontou o que considera uma contradição nas críticas de Flávio ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. No vídeo, afirmou que o senador havia dado respaldo ao então indicado durante sua passagem pelo Senado.

Os registros oficiais da sabatina, realizada em 21 de junho de 2023, mostram que Flávio elogiou o perfil garantista de Zanin e o classificou como “algo louvável na sua indicação”.

A votação, porém, foi secreta. O registro do Senado comprova a participação de Flávio, sem revelar o conteúdo de seu voto. No dia seguinte à aprovação, o senador afirmou publicamente que havia votado contra Zanin tanto na Comissão de Constituição e Justiça quanto no plenário. Portanto, os elogios na sabatina não permitem afirmar, como fato comprovado, que ele votou favoravelmente à indicação.

Saída do Brasil e cobrança por responsabilidade


Em nota oficial, a Polícia Federal informou que Flávio foi intimado, na manhã de segunda-feira (26), a entregar eventuais passaportes estrangeiros em até 24 horas, mas não cumpriu a determinação. Seus passaportes brasileiros foram cancelados após decisão judicial, e a corporação investiga o descumprimento das medidas. A PF também esclareceu que restrições documentais, isoladamente, não caracterizam a condição jurídica de foragido nem autorizam prisão automática.

Na carta divulgada após chegar aos Estados Unidos, Flávio negou que sua saída representasse uma fuga, alegou perseguição política e afirmou que pretende continuar liderando a oposição a partir do exterior.

Renan encerrou sua manifestação contrapondo essa decisão à postura que afirma adotar no Brasil. Reiterou sua oposição ao governo Lula e cobrou que Flávio assuma as consequências de suas ações no país.

“Eu estou aqui, vou lutar daqui e vou pagar as consequências das minhas ações aqui. Gostaria que o Flávio também o fizesse. Mas isso demandaria dele ser um líder, coisa que ele não é”, concluiu.