POLÍTICA

Detalhes da fuga de Flávio Bolsonaro intrigam a imprensa argentina

Jornal Clarín expõe suposta ajuda dos EUA para a saída do político após eleição.

Por Redação O Estado de S. Paulo Publicado em 31/10/2026 às 13:33
Flávio Bolsonaro

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após a derrota nas eleições presidenciais assemelha-se a um enredo de espionagem, conforme relato do jornal argentino Clarín na noite de sexta-feira, 30. De acordo com a reportagem assinada por Nicolás Wiñazki, a estratégia envolveu apoio americano em território argentino e brasileiro, além do aluguel de pelo menos três jatos.

Na terça-feira, 27, quase à meia-noite, câmeras de TV registraram uma van branca com vidros escurecidos chegando ao aeroporto de Puerto Iguazú, gerando a crença de que no interior estavam o candidato derrotado e sua família. A decolagem quase imediata do jato particular Gulfstream IV, matrícula LV-JQW, com destino a Miami, reforçou essa teoria.

No entanto, segundo o Clarín, a realidade era distinta. A família Bolsonaro teria chegado ao aeroporto uma hora antes, utilizando um veículo cujo itinerário foi organizado por agentes dos Estados Unidos. Esse carro teria acesso à pista por uma entrada secreta, despercebida pela maioria.

A Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), assim como os funcionários da Imigração e da Alfândega na Argentina, foram afastados por representantes externos, que organizaram os trâmites para garantir uma partida tranquila da família. Aguardaram aproximadamente quarenta minutos até que a decolagem do jato fosse autorizada.

Até então, tanto o governo de Donald Trump quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva haviam declarado publicamente que os Bolsonaro já haviam fugido para os EUA, informação que se provou falsa. Essa foi uma das várias manobras de distração utilizadas para otimizar o plano, que contava com um restrito grupo de coordenadores.

O Clarín também aponta que a operação de fuga teve uma intervenção americana mais significativa do que o imaginado, com agentes controlando parte do aeroporto de Iguazú e contratando jatos para contingências. O presidente argentino Javier Milei foi informado a respeito e designou seu principal assessor, Santiago Caputo, a viajar de forma confidencial para garantir a execução da operação.

A fuga incluiu a contratação de pelo menos três ou quatro jatos particulares, que poderiam servir como alternativas em caso de problemas. Esses jatos voaram simultaneamente para os EUA, dificultando a identificação do avião real da família.

Além disso, veículos adaptados foram mobilizados com placas que poderiam evitar bloqueios nas duas nações.

Como os Bolsonaro chegaram a Puerto Iguazú?

Segundo as fontes consultadas pelo Clarín, eles viajaram por terra, cobrindo aproximadamente 1.600 km entre Brasília e Foz do Iguaçu. Flávio havia alugado um jato para a viagem, mas o proprietário desistiu da operação após a divulgação de que Bolsonaro não poderia deixar o Brasil.

A logística de deslocamento envolveu a utilização de veículos “iscas” para despistar possíveis perseguidores: seis carros diferentes partiram sequencialmente da residência em Brasília.

O jornal ressalta que ainda restam várias questões em aberto, especialmente no que se refere aos papéis dos governos argentino e americano na fuga.

A falta de transparência na operação e a polêmica sobre a interferência de uma potência estrangeira geraram preocupações em relação à saída de um político brasileiro acusado de lavagem de dinheiro, levando deputados do Partido Democrata a questionar o secretário do Departamento de Estado, Marco Rubio.

Ainda restam dúvidas se houve ajuda da Casa Branca e se funcionários americanos atuaram no Brasil, na Argentina ou no Equador, onde o avião fez escala. Essas são apenas algumas das perguntas que Rubio deverá responder até 13 de novembro, conforme requisitado por seus adversários no Congresso.