POLÍTICA

Kassab sugere que Lula encontre dupla econômica semelhante a Palocci e Meirelles

O presidente do PSD destaca a importância de uma gestão voltada ao centro econômico para o sucesso do governo Lula.

Por Renan Monteiro Publicado em 01/11/2026 às 19:13
Kassab sugere que Lula encontre dupla econômica semelhante a Palocci e Meirelles Reprodução

O presidente do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará encontrar uma dupla na economia semelhante à que foi formada por Antonio Palocci e Henrique Meirelles, que ocuparam, respectivamente, os cargos de ministro da Fazenda e presidente do Banco Central (BC) no primeiro governo do petista. Kassab comentou sobre o tema durante uma entrevista no programa Canal Livre, da Band e da BandNews TV, que vai ao ar neste domingo, 1º de novembro.

"Ele (Lula) ganhou assumindo alguns compromissos no campo social. Eu acho que não adianta, ele vai cumprir e é importante que cumpra. Mas ele tem que encontrar, para conduzir a política econômica, uma dupla como foi a dupla Palocci e Meirelles", destacou Kassab, cuja legenda conta com a quarta maior bancada na Câmara, com 43 deputados. Ele também mencionou que uma eventual participação formal do PSD na base aliada está condicionada a um diálogo efetivo com o centro político.

"O PSD não pode se sentir como base se não tiver um governo que tenha os seus olhos também para o centro. Eu passei uma mensagem ao presidente, cumprimentando pela vitória, e no momento que ele nos convidar para uma conversa, nós vamos deixar muito claro isso, que nós acreditamos que se ele fizer um governo também voltado ao centro, ele terá a chance maior de ser bem sucedido", afirmou.

No atual cenário, os principais nomes cotados para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula incluem Rafael Fonteles, governador do Piauí (PT), e Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ex-chefe do Ministério da Indústria e Comércio. O atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, mantém seu mandato até dezembro de 2028.

Kassab enfatizou que o apoio do PSD a Lula dependerá da montagem de uma gestão centrada nas diretrizes econômicas. "Se ele fizer um governo para o centro, deixando claro quais serão as suas linhas mestras na condução da política econômica, apoiando algumas reformas estruturais do país, em especial a reforma eleitoral e algumas reformas do Judiciário, por que não apoiá-lo?", questionou.

Segundo Kassab, é essencial que Lula "empodere" os nomes da área de economia em seu governo. "O que o Lula precisa fazer agora é encontrar a sua dupla Meirelles-Palocci, delegar o comando, empoderar para que eles possam atingir o objetivo de trazer equilíbrio fiscal, tranquilizar o mercado", disse.

Ele também abordou a necessidade de garantir segurança e estabilidade fiscal para atrair investimentos ao Brasil. "O mercado são as pessoas que têm recursos, que estão no Brasil e querem ficar, ou que estão lá fora e querem vir. Mas se elas não tiverem a segurança que vai ter aqui uma queda de juros, a promoção num equilíbrio fiscal, num ajuste fiscal, vão embora e os outros não virão", avaliou.

Em um cenário mais adverso no Congresso, Lula deve buscar apoio de diversos partidos para formar uma base governista. O PSD perdeu cinco deputados nas eleições gerais, reduzindo sua bancada de 48 para 43. Embora Flávio Bolsonaro tenha sido derrotado, o PL conta com uma expressiva bancada de 121 deputados e 28 senadores. Assim, a aprovação da agenda de Lula no Congresso exigirá uma nova aproximação com partidos do Centrão, que devem novamente receber cargos ministeriais.

Kassab comentou que a composição da equipe econômica deve incluir dois nomes fundamentais, um para o Planejamento e outro para a Fazenda. "É fundamental que o Lula empodere duas pessoas: no Planejamento, que saiba entender os gastos para fazer os cortes, e na Fazenda, que saiba tranquilizar o mercado", avaliou.

Para Kassab, o contexto atual exige cautela maior do que em 2003. "Nós temos hoje um cenário totalmente diferente e muito mais desfavorável, o que faz com que, mais do que nunca, ele entenda que a sua prioridade e a vontade do governo é não errar no ministro da Fazenda e no ministro do Planejamento. São os pilares principais de um governo para dar certo", finalizou. Kassab também defendeu que o ajuste fiscal seja realizado sem aumento de impostos. "Ele vai promover, portanto, corte de gastos, ele vai promover corte de subsídios, de privilégios, porque é o único caminho, porque não se admite o aumento da carga tributária", concluiu.

A entrevista de Gilberto Kassab será exibida no Canal Livre neste domingo, às 20h, na BandNews TV, BandNews FM e na Rádio Bandeirantes, e às 23h na Band.