ESTREIA NA NETFLIX

'Investigando Lucy Letby': série revisita o caso da enfermeira condenada por matar 7 bebês

Documentário revela detalhes inéditos sobre o julgamento de Lucy Letby, condenada à prisão perpétua no Reino Unido

Publicado em 05/02/2026 às 12:57
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Investigando Lucy Letby, novo documentário da Netflix lançado nesta quarta-feira, 4, revisita um dos casos criminais de maior repercussão no Reino Unido nos últimos anos. A produção explora a condenação da enfermeira britânica Lucy Letby, sentenciada à prisão perpétua pelo assassinato de sete recém-nascidos e por outras sete tentativas de homicídio.

Com cerca de uma hora e meia de duração, o documentário reúne imagens inéditas, registros de interrogatórios, documentos do processo e depoimentos de pessoas diretamente envolvidas no caso. A obra também apresenta diferentes interpretações sobre as provas analisadas pela Justiça.

Os crimes e a condenação

Lucy Letby, atualmente com 36 anos, foi condenada em agosto de 2023, após um dos julgamentos mais longos da história recente do Reino Unido. Os crimes ocorreram entre 2015 e 2016, na unidade neonatal do Countess of Chester Hospital, no noroeste da Inglaterra.

Segundo a sentença, os bebês foram mortos por meio da injeção de ar por via intravenosa ou pela introdução de ar e excesso de leite no estômago, utilizando sondas nasogástricas. Lucy também foi considerada culpada por sete tentativas de homicídio.

A enfermeira sempre negou as acusações, mas seus pedidos de recurso foram recusados duas vezes pelos tribunais britânicos.

O que o documentário apresenta

A produção exibe trechos dos interrogatórios de Lucy Letby, nos quais a enfermeira responde "sem comentários" a diversas perguntas, além de páginas de seu diário pessoal. Em algumas anotações, datas que coincidem com as mortes aparecem marcadas com asteriscos.

O documentário traz ainda o depoimento da mãe de uma das vítimas e entrevistas com profissionais que acompanham o caso. Entre eles está o médico canadense Shoo Lee, que questiona as perícias apresentadas no julgamento e aponta inconsistências nas conclusões usadas pela acusação.

Imagens inéditas e reação da família

Um dos momentos centrais do documentário é a exibição da prisão de Lucy Letby, gravada dentro da casa dos pais da enfermeira. As imagens mostram Letby em seu quarto, de pijama, aparentemente confusa, sendo algemada e conduzida à delegacia.

A inclusão dessas imagens gerou críticas públicas dos pais de Lucy, John e Susan Letby. Em comunicado ao jornal Sunday Times, o casal classificou o uso do material como uma "violação total da vida privada" e destacou a pressão midiática enfrentada pela família desde o início do caso.

Questionamentos e revisões em andamento

Apesar da condenação, o caso segue gerando debates. Atualmente, o processo está sob análise da Criminal Cases Review Commission, órgão independente responsável por revisar possíveis erros judiciais.

Paralelamente, as mortes dos bebês passarão por nova análise a partir de 5 de maio, conduzida por um médico-legista. As conclusões poderão ser encaminhadas ao Ministério Público. No sétimo caso, a investigação anterior não conseguiu determinar se a morte foi natural ou provocada.

Depoimentos finais e posicionamento oficial

O documentário encerra-se com a fala de John Gibbs, ex-pediatra do hospital onde Letby trabalhou. Ele relata sentimentos de responsabilidade profissional e levanta questionamentos sobre o processo investigativo, mas afirma não acreditar, até o momento, em erro judicial.

Em entrevista à rádio LBC News, o ministro britânico da Saúde, Wes Streeting, declarou que mantém confiança nas decisões dos tribunais, a menos que sejam revistas pela própria Justiça.