James Cameron critica venda da Warner à Netflix: 'Menos filmes, cinemas fechados e demissões'
Diretor alerta para impactos negativos na produção de filmes, empregos e exibição em salas caso fusão seja concretizada.
O cineasta James Cameron, responsável por clássicos como Titanic, O Exterminador do Futuro e Avatar, manifestou preocupação com a possível compra da Warner Bros. pela Netflix. Segundo o diretor, a aquisição pode causar danos irreparáveis à indústria cinematográfica, reduzindo o número de filmes produzidos e colocando em risco o futuro das salas de cinema.
Em carta enviada ao senador de Utah, Mike Lee, na última semana, Cameron afirmou que a fusão pode desencadear uma crise sem precedentes no setor. "Os cinemas vão fechar. Menos filmes serão produzidos. Prestadores de serviço, como empresas de efeitos visuais, sairão do mercado. As demissões vão se multiplicar", alertou.
"Acredito firmemente que a proposta de venda da Warner Brothers Discovery para a Netflix será desastrosa para o setor de exibição cinematográfica, ao qual dediquei o trabalho da minha vida", escreveu Cameron. "Claro que meus filmes também circulam nos mercados de vídeo posteriores, mas meu primeiro amor é o cinema", declarou o diretor em documento obtido pela CNBC e publicado nesta quinta-feira, 19.
O senador republicano Mike Lee preside o subcomitê do Senado norte-americano sobre antitruste, política concorrencial e direitos do consumidor, órgão responsável por fiscalizar fusões e promover debates sobre grandes aquisições.
Para Cameron, o modelo de negócios da Netflix é incompatível com a produção e exibição cinematográfica tradicional, que emprega centenas de milhares de pessoas nos Estados Unidos. "Está, portanto, em conflito direto com o modelo de negócios da divisão de cinema da Warner Bros., um dos poucos grandes estúdios que restam", argumentou.
O diretor destacou ainda que a Warner lança cerca de 15 filmes por ano nos cinemas, um volume fundamental para a sobrevivência dos exibidores. "Essa fusão reduzirá as opções do consumidor ao diminuir o número de longas-metragens produzidos. Também restringirá as alternativas de cineastas que buscam estúdios para investir em seus projetos, resultando na redução de empregos", afirmou.
Além disso, Cameron demonstrou preocupação com a possível diminuição das janelas de exibição nas salas de cinema. Segundo ele, a Netflix propõe um período de apenas 17 dias, considerado insuficiente. "A maioria das pessoas no setor de longas-metragens acredita que a janela mínima deveria ser de 45 dias; muitos defendem 60 dias", explicou.
O cineasta ressaltou ainda que a promessa de qualquer número de dias não tem valor sem um compromisso quanto ao número de salas. "Um grande lançamento costuma estrear simultaneamente em mais de 3 mil cinemas no mercado doméstico", observou Cameron, que criticou a Netflix por não considerar as salas de cinema como parte essencial de seu modelo de negócios.
"A Netflix realizou apenas um punhado de lançamentos nos cinemas – e, ainda assim, geralmente sob pressão de cineastas prestigiados. Mesmo nesses casos, as estreias costumam ocorrer em um número simbólico de salas e são feitas principalmente para se qualificarem ao Oscar. Esses lançamentos não representam o sustento principal do setor de exibição", avaliou.
Por fim, Cameron afirmou que vê sua criatividade e produtividade diretamente ameaçadas pela possível venda. "Tenho certeza de que muitos na comunidade cinematográfica – roteiristas, produtores, diretores, exibidores, sindicatos e associações profissionais, membros de equipes técnicas e prestadores de serviço – concordam comigo", disse. "Muitos optarão por não se manifestar tão abertamente quanto eu, porque a Netflix continuará sendo um grande empregador no futuro próximo. Mas sei que falo por muitos", concluiu.