CULTURA

Centenário de Almir Mavignier é celebrado na DAN Galeria Contemporânea

De diferentes momentos da trajetória do artista, mostra reúne pinturas, produção gráfica e painel inédito. Resgata período de contato com Nise da Silveira, com obras do Museu de Imagens do Inconsciente

Por Assessoria Publicado em 19/05/2026 às 14:56
Centenário de Almir Mavignier é celebrado na DAN Galeria Contemporânea

Maio de 2026 - Em celebração ao centenário de Almir Mavignier  (1925–2018), completado no ano passado, a DAN Galeria Contemporânea inaugura, no dia 23 de maio, O Acaso Determinado, com curadoria de Luiz Armando Bagolin e Luiz Guilherme Vergara. A mostra apresenta um panorama consistente de sua trajetória de uma das figuras centrais na transformação da linguagem geométrica no século XX.

Reunindo pinturas e cartazes, o conjunto atravessa diferentes momentos de sua produção — das obras iniciais, ainda em transição para a não figuração, à consolidação de uma linguagem baseada na investigação sistemática da cor, da repetição e da vibração óptica. Como destaque, a mostra inclui Hélix, painel de grandes dimensões desenvolvido entre 2012 e 2014, última pintura realizada por Almir Mavignier em colaboração com seu filho, Delmar Mavignier. Na obra, o espectro cromático se organiza em uma estrutura contínua, marcada pela alternância entre luz e sombra.

Desde o início de sua formação, aproximou-se das discussões em torno da arte abstrata e das teorias da percepção visual, estabelecendo um campo de investigação que articula construção formal e experiência sensível.

Um momento decisivo de sua trajetória ocorreu no Engenho de Dentro, onde atuou no ateliê de terapia ocupacional coordenado por Nise da Silveira. Essa experiência ampliou sua compreensão da imagem como campo de experimentação, em que percepção e subjetividade passam a desempenhar papel central. A exposição resgata esse período com uma parceria com o Museu de Imagens do Inconsciente, que emprestou de seu acervo 17 obras para a mostra, entre elas duas pinturas de Mavignier realizadas nesse período, além de trabalhos produzidos por pacientes do ateliê.

No Rio de Janeiro, integra um núcleo pioneiro para a consolidação da arte concreta no Brasil, em diálogo com Mário Pedrosa, ao lado de Abraham Palatnik e Ivan Serpa, em um contexto em que a pintura não figurativa passa a se afirmar a partir de relações formais e sistemas visuais.

A partir dos anos 1950, sua mudança para a Europa e sua formação na Escola Superior da Forma de Ulm, na Alemanha, foram decisivas para o desenvolvimento de sua pesquisa. No departamento de Design Visual, estudou com Max Bill e Josef Albers, aprofundando uma abordagem que articula arte, design e teoria da percepção, ao mesmo tempo em que se insere no circuito internacional e atua de forma ativa na circulação e consolidação dessas investigações.

Sua obra se afirma pela repetição do ponto como unidade estrutural, em sistemas de organização visual nos quais luz, ritmo e densidade produzem campos de instabilidade e vibração perceptiva. Participou de importantes exposições, como a Bienal de Veneza, a Documenta de Kassel e “The Responsive Eye”, no Museum of Modern Art, em Nova York, em 1965, e atuou como curador da exposição “Novas Tendências”, realizada em Zagreb em 1961, além de ter lecionado pintura na Escola Superior de Artes Plásticas de Hamburgo.

Segundo Flávio Cohn, diretor da DAN Galeria Contemporânea,  “Mais do que um resgate histórico, a exposição reconecta a produção de Mavignier às discussões centrais da arte brasileira. Iniciamos esse processo, em meados dos anos 2000, inicialmente Mavignier não demonstrava interesse em retornar ao país.  Após um longo trabalho de aproximação, realizamos sua primeira exposição em 2008 e, desde então, esse movimento vem sendo aprofundado. Mesmo vivendo por décadas na Europa, ele manteve relações fundamentais com artistas do Grupo Frente, do concretismo e do neoconcretismo desde o início de sua trajetória. Para nós, a mostra reafirma esse percurso e é um privilégio representar Almir Mavignier no Brasil, contribuindo para ampliar o acesso do público à sua obra e ao seu reconhecimento como um dos nomes fundamentais da arte concreta e das investigações ópticas no século XX.”

Em paralelo, a programação em torno do centenário se desdobra também na Unibes Cultural, com a exposição Almir Mavignier – Docugrafias: Pinturas Digitais, realizada em parceria com a DAN Galeria Contemporânea, que reúne 51 topografias derivadas digitalmente de obras do artista, ao lado de cartazes e outras peças gráficas.

Serviço

Almir Mavignier -  O Acaso Determinado

Curadoria: Luiz Armando Bagolin e Luiz Guilherme Vergara

Endereço: DAN Galeria – Rua Amauri, 73 – São Paulo

Abertura: 23 de maio

Período expositivo: de 23 de maio a 21 de agosto de 2026

Horário: das 10h às 19h, de segunda a sexta; das 10h às 13h, aos sábados. 

Entrada gratuita

Classificação: livre 

Mais informações: dangaleria.com.br

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