MÚSICA

Cantor baiano Fatel lança Rasante, álbum que transforma o sertão em linguagem

Projeto chega no dia 24 de julho (sexta-feira) via ONErpm reunindo Josyara, Guigga, Ivan Sacerdote, Grupo Ofá, Cicinho de Assis e Mário Soares

Por Assessoria Publicado em 24/07/2026 às 16:39
Fatel | CAPA Rasante Foto: Lígia Rizério | Capa: Théo Charles

Rasante é um voo de proximidade. É quando o corpo escolhe permanecer perto da terra para reconhecer seus contornos, sentir o calor das pedras, acompanhar o curso das águas e ouvir aquilo que só existe quando se desacelera. O novo álbum de Fatel, que chega nesta sexta-feira (24) via ONErpm, em todas as plataformas digitais, nasce dessa imagem. Em dez faixas, o cantor, compositor e poeta baiano constrói uma obra em que a canção se torna território de encontro entre memória, desejo, palavra e pertencimento, com participações de Josyara, Guigga, Ivan Sacerdote, Grupo Ofá, Cicinho de Assis e Mário Soares.

“O Rasante é pra mim um símbolo de resistência. Um trabalho feito com muita calma, uma música feita com gente de verdade, de uma poesia e de uma musicalidade que não busca retratar o Nordeste ou o Sertão, mas falar e cantar o Brasil a partir dele”, afirma Fatel.

Natural de Juazeiro, às margens do Rio São Francisco, Fatel faz da experiência sertaneja não um tema, mas uma linguagem. Sua música evita tanto o regionalismo ilustrativo quanto a tentativa de universalizar-se apagando as próprias origens. Em Rasante, o sertão não aparece como cenário nem como nostalgia: está presente na maneira como as melodias respiram, na força das imagens poéticas e na convivência orgânica entre tradição e invenção.

Produzido artisticamente por Fatel e Tarcísio Santos, o álbum percorre diferentes paisagens sonoras sem abandonar sua unidade estética. Cordas, sopros, sanfona, percussões afro-brasileiras e uma instrumentação cuidadosamente econômica sustentam canções em que o silêncio tem tanto peso quanto o som. Cada arranjo parece nascer da própria necessidade da música, recusando excessos para deixar que a palavra ocupe o centro.

Essa escolha revela um compositor interessado menos em demonstrar virtuosismo do que em criar atmosfera. Em “Aprender a Nadar", a voz encontra abrigo no violão e nas cordas, transformando a delicadeza em gesto inaugural. “Não Negue o Medo, Nego” amplia o horizonte com sopros, guitarra e percussão, convertendo a vulnerabilidade em afirmação. Em “Trilhas de Corte", a participação de Guigga acrescenta novas camadas à reflexão sobre identidade e deslocamento.

Ao incluir “Cobra Coral", de Waly Salomão e Caetano Veloso, e "Olha pro Céu", de Luiz Gonzaga e José Fernandes de Carvalho, Fatel estabelece um diálogo com diferentes linhagens da canção brasileira. As releituras funcionam tanto como homenagem e um sinal de reverência como também são incorporadas ao universo do álbum com bastante propriedade , reforçando a ideia de continuidade entre tradição e criação contemporânea.

As participações especiais ampliam esse percurso. Josyara empresta sua voz à delicada “Nós Dois”; Ivan Sacerdote colore “Cobra Coral” com o clarinete; Guigga divide a composição e a interpretação de “Trilhas de Corte”; Cicinho de Assis e Mário Soares aproximam o disco das sonoridades do interior nordestino em “Canto de Madrugou”; enquanto o Grupo Ofá imprime uma dimensão ritualística a “Mãe Menina”. Em nenhum momento os convidados aparecem como ornamento. Cada presença expande a paisagem proposta pelas canções.

"A escolha das participações para o álbum foi baseada na forma como a gente faz as coisas, que é com muita verdade, trazendo quem está perto e quem a gente admira, como o Guigga, com quem escrevi ‘Trilhas de Corte’, parceiro de alguns anos. Eu penso no Rasante também como um disco de apresentação, então trazer Josyara, que é uma conterrânea, pra contar essa história faz todo sentido, porque ela é a maior representante da música brasileira no país vindo de Juazeiro, e eu digo isso com muito orgulho. Todas as outras participações são de pessoas de quem eu sou muito fã e que trazem um peso para um disco como esse: baiano, feito por pessoas do interior", comenta Fatel.

Mais do que reunir dez faixas, Rasante apresenta um momento de maturidade artística. A produção precisa, os arranjos elegantes e a consistência da escrita reafirmam Fatel como um dos compositores de sua geração que melhor compreendem a canção como espaço de invenção poética. Seu trabalho dialoga com a tradição sem se prender a ela e aponta para uma música brasileira profundamente conectada às suas raízes, mas inteiramente voltada para o presente.

Em tempos de velocidade e excesso, Rasante escolhe outro caminho. Aproxima-se da terra, da palavra e do silêncio. É um disco que convida o ouvinte não apenas a escutar, mas a habitar cada canção.

Rasante já está disponível em todas as plataformas digitais via ONErpm.

FICHA TÉCNICA

Produção Musical e Direção Artística: Fatel e Tarcísio Santos

Arranjos: Tarcísio Santos. Em "Rasante” Fatel assina o arranjo e  “Mãe Menina” Iuri Passos divide o arranjo com Tarcísio

Produção Executiva: Leo Miranda

Participações Especiais: Josyara, Ivan Sacerdote, Guigga, Cicinho de Assis, Mario Soares, Grupo Ofá

Instrumentistas: Rosa Denise, Lirida Oliveira, Ivo Júnior, Brenda Silva, Leilson Santos, Luan Badaró, Iuri Passos, Tarcísio Santos, Ítalo Nogueira, Lucas de Gal, Nilton Azevedo, Beto Martins, Álvin Soares, Cicinho de Assis, Mário Soares, Fatel

Mix e Master: Álvin Soares 

Foto da Capa: Lígia Rizério

Capa: Théo Charles