Amanda Knox transforma caso de assassinato na Itália em stand-up e gera revolta
Americana foi condenada e logo depois absolvida pela morte de Meredith Kercher em 2007
A norte-americana Amanda Knox, que foi condenada e posteriormente absolvida da acusação de envolvimento no assassinato de sua colega de quarto, a estudante britânica Meredith Kercher, transformou sua longa saga judicial em um espetáculo de stand-up comedy.
A iniciativa provocou indignação na família de Meredith, que classificou a apresentação como "ofensiva e deplorável".
Após ter produzido um documentário e escrito um livro sobre sua provação, Knox anunciou agora que apresentará o monólogo cômico "Amanda Knox: Cartwheel" durante dez dias de agosto, no teatro Gilded Balloon, em Edimburgo, como parte da programação do Festival Fringe.
O espetáculo é interpretado pela própria Knox e aborda sua trajetória desde a acusação até a absolvição.
O advogado da família Kercher na Itália, Francesco Maresca, afirmou que a produção representa "um insulto deplorável à memória de Meredith".
Segundo ele, a iniciativa demonstra que Knox "perdeu toda a esperança de compreender os sentimentos" da família da vítima diante de suas ações.
O anúncio do espetáculo também provocou críticas na imprensa britânica e nas redes sociais. Em resposta às reações, Knox afirmou que Meredith "teria apreciado o show" por ser uma "jovem inteligente e sofisticada".
Ela acrescentou ainda que sua intenção é "fazer piada sobre a forma como foi ofendida, e não sobre o assassinato dela".
Meredith Kercher foi assassinada em Perugia, na Itália, em 1º de novembro de 2007. Amanda Knox chegou a ser presa e condenada pelo crime, mas foi absolvida definitivamente pela Suprema Corte italiana em 2015. O italiano Raffaele Sollecito, namorado da americana na época do homicídio, também foi condenado e, posteriormente, absolvido.
O único condenado em definitivo foi o marfinense Rudy Guede, que recebeu uma pena de 16 anos de prisão e já cumpriu a sentença.
O assassinato se tornou um dos casos judiciais mais midiáticos da Itália nas últimas décadas e, até hoje, continua dividindo opiniões sobre a condução das investigações e o suposto envolvimento de Knox.