“Deixe-me Viver” emociona público em première mundial em Miami
Com ingressos esgotados, longa de Walther Neto é aplaudido de pé no 30º Inffinito Brazilian Film Festival
Sessão contou com a presença da equipe do filme e fechou a noite com ovação. Festival das fundadoras Adriana L. Dutra, Cláudia Dutra e Viviane B. Spinelli completa três décadas com curadoria feminina liderada por Carla Camurati e Letícia Lima.
MIAMI BEACH, 8 de setembro de 2026 — “Deixe-me Viver” chegou a Miami Beach na noite desta segunda-feira (7) para uma sessão de casa cheia e aplausos de pé. Dirigido por Walther Neto e protagonizado por Cat Dantas, Mônica Carvalho e Humberto Martins, o longa teve sua première mundial na Mostra Panorama da 30ª edição do Inffinito Brazilian Film Festival, com ingressos esgotados no O Cinema South Beach. Ao final da exibição, a história de Júlia e Andrea foi recebida com uma calorosa ovação da plateia, em uma noite que marcou a estreia internacional do filme.
“Ver ‘Deixe-me Viver’ chegar ao público em Miami, com a sala lotada e essa recepção tão calorosa, foi profundamente emocionante. Fizemos este filme acreditando na força de uma história de amor, coragem e escolhas, e testemunhar pessoas de diferentes lugares se emocionando com Júlia e Andrea é uma das experiências mais bonitas que um filme pode proporcionar. Saio desta noite com a sensação de que a história encontrou novos caminhos para existir e tocar outras pessoas”, afirma Walther Neto, diretor do longa.
A sessão integrou a programação presencial do festival, realizada de 3 a 12 de setembro entre o O Cinema South Beach, o Miami Beach Bandshell e o Silverspot Cinema, no centro de Miami. Antes da projeção, a produção recebeu convidados em coquetel. Depois dos créditos, o debate com o público estendeu o que a tela já tinha feito: pouca gente saiu indiferente.
As meninas de trinta anos — e a curadoria que escolheu o filme
Há três décadas, Adriana L. Dutra, Cláudia Dutra e Viviane B. Spinelli — “as meninas”, como o meio cinematográfico brasileiro as chama com respeito e afeto — sustentam o maior e pioneiro festival de cinema brasileiro no exterior. O que começou em 1996, ainda no rastro da retomada, virou circuito: Miami, Nova York, Londres, Vancouver, Roma, Madri, Barcelona, Bogotá, Buenos Aires, Xangai. Mais de cem edições. Milhares de filmes. Uma ponte rara entre a produção nacional e o público internacional.
Nesta edição comemorativa, que homenageia Glória Pires e reúne mais de 70 produções, a curadoria foi assinada por um time exclusivamente feminino: Carla Camurati, cineasta da retomada e responsável também pela estreia internacional do documentário Raízes do Sagrado Feminino; a atriz Camila Morgado; Letícia Lima, atriz, humorista e diretora revelada no Porta dos Fundos; além de Renata Almeida Magalhães, Liliana Kawase, Laura Fernandes e da própria Adriana L. Dutra. Foi nesse olhar que “Deixe-me Viver” encontrou seu lugar na Mostra Panorama — ao lado de títulos como Pequenas Criaturas, Muito Prazer, de Jorge Furtado, e Gonzaguinha — Da Maior Liberdade, de Susanna Lira.
Quem estava na sala
O diretor Walther Neto acompanhou a sessão e o diálogo com o público. Do elenco e da criação, esteve presente Mônica Carvalho, atriz, roteirista e produtora do filme, que vive Andrea na tela e assina a produção pela Yva Filmes. Também estiveram a protagonista Cat Dantas (Júlia), Laura Proença (Alana), Fernanda Arraes (Eleonora) e Swara Sampaio (Dra. Veronezzi). Da produção, subiram à sala o coprodutor Rodrigo Salomon, da PRH-9 Produções, e a produtora executiva Carolina Brasil, da Krystal Films. A noite foi, também, um retrato do filme: mulheres à frente da história, da produção e da plateia que lotou o cinema.
A reação foi imediata e unânime. Comentários na saída, no saguão e nas redes da equipe repetiram as mesmas palavras — comovente, emocionante, corajoso. Não se tratava de cortesia de festival. Era o público, de pé, devolvendo ao filme o que o filme pede no título: o direito de viver o tempo que ainda resta, com dignidade e sem pedido de desculpas.
Uma história que não pede licença
Júlia tem 14 anos e um câncer terminal. Ao descobrir que permanecerá internada até o fim, pede à mãe, Andrea, que interrompa o tratamento e fuja com ela do hospital. Andrea, mãe dedicada ao trabalho e ausente no cotidiano, abandona a rotina, atravessa o protocolo médico, a opinião do pai, a Justiça e o julgamento público. Mãe e filha partem para Trancoso, no sul da Bahia. Ali, cada dia vira uma vida inteira: o mar, o forró, um primeiro amor, uma festa de 15 anos, a espiritualidade do povo Pataxó.
O roteiro é de Michele Muniz, Mônica Carvalho e Marcelo Corrêa (Sala EME AO CUBO). A produção reúne Yva Filmes, WN Produções, PRH-9 Produções e Krystal Films. Filmado em Trancoso, Campinas, Presidente Prudente e São Paulo, o longa já havia passado pelo Marché du Film do Festival de Cannes, em maio, e agora encontra no Inffinito o seu primeiro encontro pleno com o público norte-americano — em casa lotada, na edição que celebra 30 anos de cinema brasileiro fora do Brasil.
Não é um filme cômodo. Fala de ortotanásia, de culpa, de fé e de um amor que se recusa a terceirizar o fim da vida para o relógio da doença. Mas a sessão de ontem mostrou o outro lado dessa polêmica: quando a história é contada com verdade, a plateia não debate primeiro. Primeiro, ela sente. Depois, aplaude de pé.
O que fica depois dos créditos
A 30ª Inffinito segue até 12 de setembro na etapa presencial e, de 13 a 30, na plataforma Inffinito.Plus, com mostra mundial gratuita. “Deixe-me Viver” segue sua rota: Cannes, Miami, e estreia prevista no Brasil em novembro. O que a noite de 7 de setembro deixou claro é mais simples — e mais raro — do que uma nota de festival: havia gente demais para o tamanho da sala, e ainda assim o filme coube em todo mundo que estava lá.
Como escreveu a sinopse oficial, é um filme sobre o valor do tempo: o tempo que não vemos passar, o tempo que a vida nos tira e o tempo que ainda podemos escolher. Em Miami, o público escolheu ficar até o fim — e se levantou.
SERVIÇO E CRÉDITOS
Filme: Deixe-me Viver (Brasil, 2026) | Direção: Walther Neto
Roteiro: Mônica Carvalho, Michele Muniz e Marcelo Corrêa
Elenco principal: Cat Dantas, Mônica Carvalho, Humberto Martins
Presentes na sessão de 7/9, em Miami: Walther Neto; Mônica Carvalho (atriz, roteirista e produtora); Cat Dantas; Laura Proença; Fernanda Arraes; Swara Sampaio; Rodrigo Salomon (PRH-9 Produções); e Carolina Brasil (Krystal Films)
Local: O Cinema South Beach — 1130 Washington Ave., Miami Beach, FL
Mostra: Panorama — 30ª Inffinito Brazilian Film Festival (3 a 12/9, presencial; 13 a 30/9, Inffinito.Plus)
Fundadoras do festival: Adriana L. Dutra, Cláudia Dutra e Viviane B. Spinelli
Curadoria 2026: Carla Camurati, Camila Morgado, Adriana L. Dutra, Renata Almeida Magalhães, Letícia Lima, Liliana Kawase e Laura Fernandes
Produção: Yva Filmes · Coprodução: WN Produções, PRH-9 Produções, Marc Films e Krystal Films
Redes: instagram.com/deixemeviveroficial · brazilianfilmfestival.com