ATENDIMENTO

Boca torta, braço fraco e fala enrolada: você saberia reconhecer um AVC?

Cardiologista do Hospital Mater Dei Goiânia explica quais sinais exigem atendimento imediato e alerta que infarto também pode aparecer de formas menos conhecidas

Por Assessoria de Imprensa Palavra Comunicação Publicado em 14/09/2026 às 15:16
Boca torta, braço fraco e fala enrolada: você saberia reconhecer um AVC?

Boca torta, perda de força em um braço ou perna e dificuldade para falar estão entre os sinais que podem indicar um acidente vascular cerebral (AVC). Quando surgem de forma repentina, mesmo que desapareçam minutos depois, a orientação é procurar atendimento de urgência.

O alerta ganha espaço durante o Setembro Vermelho, mês dedicado à conscientização sobre as doenças cardiovasculares, mas vale para o ano inteiro: diante de um AVC ou infarto, adiar a avaliação pode aumentar o risco de sequelas.

Segundo o cardiologista Thiago Marinho, do Hospital Mater Dei Goiânia, alterações na força muscular são um dos principais sinais do AVC. “Pode ser a perda de força de um braço, da perna ou uma alteração na musculatura da face, com desvio da boca para um lado. Sempre que o paciente tiver um quadro semelhante, deve procurar atendimento médico de urgência, mesmo que apresente melhora espontânea dos sintomas”, alerta.

Além da fraqueza e da assimetria facial, dificuldade para falar ou compreender, alterações repentinas da visão, tontura, perda de equilíbrio e dor de cabeça súbita e intensa também merecem atenção.

Uma forma rápida de observar os sinais é pedir que a pessoa sorria, levante os dois braços e repita uma frase.

Infarto nem sempre começa com a dor clássica

No infarto, o sintoma mais conhecido é a dor no peito, geralmente descrita como peso, aperto ou queimação no centro do tórax. O desconforto pode irradiar para pescoço, braços, costas, mandíbula ou região do estômago.

Nem todos, porém, apresentam esse quadro clássico. Idosos, pessoas com diabetes e mulheres podem ter manifestações menos típicas. “Esses pacientes podem apresentar falta de ar, cansaço, suor frio e, algumas vezes, desmaio. Isso pode atrasar o diagnóstico e causar danos mais significativos ao coração”, explica Marinho.

O médico chama atenção principalmente para quem decide esperar a dor passar ou deixar para buscar atendimento no dia seguinte. AVC e infarto são condições consideradas tempo-dependentes: quanto maior a demora para o diagnóstico e início do tratamento, maior pode ser o comprometimento do coração ou do cérebro. “É melhor procurar o serviço de urgência e o infarto ser descartado do que ter o diagnóstico feito depois de 24 horas, com possíveis consequências para o coração”, reforça o cardiologista.

O risco pode estar presente sem sintomas

Hipertensão, colesterol elevado e diabetes estão entre os principais fatores de risco para infarto e AVC e podem permanecer por anos sem causar sintomas perceptíveis. “São inimigos silenciosos. A pessoa não sente nada, o que dificulta o diagnóstico precoce e, muitas vezes, a adesão ao tratamento de forma efetiva e adequada”, afirma o médico do Hospital Mater Dei Goiânia.

A atenção deve ser ainda maior quando existe histórico familiar de AVC ou infarto precoce, especialmente antes dos 50 anos. Nesses casos, Marinho orienta que o acompanhamento médico comece ainda na juventude para investigar, inclusive, possíveis alterações hereditárias que aumentem o risco cardiovascular.

A avaliação preventiva pode envolver aferição da pressão arterial e exames para verificar glicemia, colesterol e triglicerídeos. Eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e outros exames podem ser indicados conforme idade, sintomas, histórico familiar e fatores de risco.

De acordo com Marinho, grande parte dos infartos está relacionada a fatores modificáveis. Entre as medidas de prevenção estão alimentação adequada, prática regular de atividade física, controle do peso e do estresse, sono adequado, abandono do tabagismo e tratamento da hipertensão, diabetes e colesterol elevado.

Para a atividade física, o cardiologista lembra a recomendação de 150 a 300 minutos semanais de exercício aeróbico, associados a exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.

FOTO: Dor no peito, falta de ar, suor frio e mal-estar súbito podem indicar infarto. Atendimento rápido reduz o risco de complicações - crédito: divulgação/ pixabay