Uso indiscriminado de capturas para pragas urbanas pode ser um risco para animais silvestres
Instituto do Meio Ambiente de Alagoas alerta para impactos de armadilhas em aves, mamíferos e répteis não visados
Com o aumento da infestação de ratos e outras pragas urbanas, é comum que a população recorra a ratoeiras, placas de cola ou outros métodos para capturar esses animais. No entanto, o uso indiscriminado dessas práticas pode colocar em risco a fauna silvestre, atingindo espécies que não são o alvo dessas armadilhas. O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) faz um alerta sobre a necessidade do uso responsável desses dispositivos, que podem causar sérios danos à saúde de aves de rapina, corujas, mamíferos e até répteis, que acabam capturados acidentalmente.
O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), gerido em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), tem registrado um aumento significativo no número de animais silvestres com lesões provocadas especialmente pelo uso da chamada cola rato. O descarte inadequado dessas armadilhas faz com que, por exemplo, corujas — que se alimentam de roedores — fiquem presas junto com os ratos.
“Recebemos muitas corujas e aves de rapina com asas e patas fraturadas, além de apresentarem alto grau de estresse. Isso pode levá-las a óbito, dependendo do estado do animal. A remoção da cola é um processo difícil, que exige procedimentos diários para evitar ainda mais sofrimento”, explica a médica veterinária do IMA/AL, Pérola Marques.

Segundo a veterinária, muitas pessoas não se dão conta de que esses produtos podem afetar a fauna silvestre, por isso o cuidado deve ser redobrado.
“Há formas de controlar pragas urbanas sem prejudicar outros animais, como optar por armadilhas que mantenham os animais vivos, vedar frestas, janelas, telhas, bueiros e canos que possam servir de acesso para roedores. Manter o ambiente limpo e descartar o lixo corretamente também são medidas essenciais. Se o uso da cola rato for inevitável, o ideal é aplicá-la apenas em ambientes fechados”, orienta Pérola Marques.
Caso a população encontre animais silvestres em situação de risco, é fundamental acionar o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) imediatamente, pelos telefones (82) 9 8833-5879 ou 190, para garantir o resgate seguro desses animais.