A POLÍTICA DEPOIS DAS URNAS

Alagoas precisa de pontes: JHC terá de dialogar com uma Assembleia de maioria emedebista

Governador eleito terá de construir diálogo com a Assembleia para encaminhar os projetos e as prioridades de sua gestão

Por Redação Publicado em 16/10/2026 às 16:46
Principal liderança do MDB na Assembleia Marcelo Victor terá papel central na relação entre a maioria parlamentar e o futuro governo de JHC

A vitória na disputa pelo governo de Alagoas coloca JHC diante de um desafio que não se encerra com a apuração: construir uma relação institucional com a Assembleia Legislativa. Eleito governador de Alagoas, JHC terá de construir uma relação de diálogo com uma Assembleia Legislativa na qual o MDB, partido de seu adversário nas urnas, Renan Filho, conquistou 15 das 27 cadeiras. Com maioria absoluta no Legislativo, a bancada emedebista terá papel decisivo na análise do orçamento e dos projetos do futuro governo.

O PT elegeu três deputados, enquanto o PSDB de JHC conquistou duas vagas. Se o alinhamento da campanha fosse integralmente mantido, MDB e PT reuniriam 18 parlamentares. Essa composição, entretanto, não permite concluir que todos atuarão como oposição permanente ao próximo governo. As posições dependerão das negociações e das propostas encaminhadas pelo Executivo e a fatia de poder que cada deputado desse bloco amealhará.

Marcelo Victor, principal liderança emedebista da Assembleia, ocupa posição central nesse cenário. A relação entre o governador eleito e o grupo político do Legislativo será importante para o encaminhamento de projetos e a definição das prioridades estaduais.

JHC já sinalizou disposição para o diálogo e reconheceu as atribuições da Assembleia na elaboração das leis, na fiscalização e na discussão do orçamento. As declarações indicam uma abertura inicial, mas a construção dos acordos dependerá dos compromissos apresentados e da atuação de cada bancada.

O orçamento será um dos primeiros campos concretos dessa relação. A preparação das contas estaduais de 2027 já passou pela discussão da Lei de Diretrizes Orçamentárias na Assembleia. O futuro governo precisará compatibilizar as promessas de campanha com as receitas disponíveis, as despesas obrigatórias e os compromissos existentes.

Para a população, o resultado dessa negociação precisa aparecer no atendimento de saúde, nas oportunidades de emprego, no abastecimento de água e na qualidade dos serviços públicos. No Agreste e no Sertão, essas necessidades devem orientar as prioridades e a distribuição dos investimentos.

Superar o ambiente da campanha exige disposição dos dois lados. O Executivo terá de apresentar propostas consistentes, explicar suas escolhas e aceitar o debate parlamentar. O Legislativo deverá examinar os projetos pelo interesse público, com liberdade para apoiar, modificar ou rejeitar medidas, preservando sua responsabilidade de fiscalizar.

A conciliação institucional também precisa ocorrer com transparência. Acordos para aprovar projetos devem ser conhecidos pela sociedade, permitindo que o cidadão acompanhe os compromissos assumidos e cobre seus resultados.

Construir pontes exige preservar as divergências legítimas e estabelecer condições para que o estado funcione depois da disputa eleitoral. As urnas distribuíram responsabilidades. Agora, governo e Assembleia terão de mostrar como pretendem exercê-las.