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Estudo revela como cérebro reage ao fanatismo esportivo

Pesquisa apontou que sentimento é desenvolvido ainda na infância

Por Redação ANSA Publicado em 13/11/2025 às 20:25
Torcedores da Juve Stabia durante uma partida da equipe no estádio Romeo Menti ANSA

Uma pesquisa publicada nesta semana identificou as regiões cerebrais ativadas quando torcedores assistem aos jogos de seus times favoritos, desencadeando emoções e comportamentos tanto positivos quanto negativos.

O estudo, conduzido pela Universidade de San Sebastián, no Chile, foi publicado na revista Radiology e abriu novas perspectivas para compreender diferentes tipos de fanatismo, não apenas no futebol, mas também em contextos religiosos e políticos.

Os cientistas recrutaram 60 torcedores de dois times rivais, todos homens entre 20 e 45 anos. A paixão pelo futebol foi quantificada por meio de uma escala que mede o fanatismo, avaliando especialmente a propensão à violência e o senso de pertencimento.

As atividades cerebrais dos participantes foram analisadas por ressonância magnética funcional (RMf) enquanto assistiam a 63 sequências de gols em partidas contra o rival histórico ou oponentes neutros. Os resultados indicaram que "a rivalidade reconfigura rapidamente o equilíbrio entre avaliação e controle no cérebro em questão de segundos".

"Quando uma partida é vencida contra um rival histórico, o circuito de recompensa do cérebro é amplificado; quando é perdida, o córtex cingulado anterior dorsal mostra uma supressão paradoxal dos sinais de controle", explicou o biólogo Francisco Zamorano, um dos autores do estudo.

O especialista destacou que o córtex cingulado anterior dorsal desempenha papel importante no controle cognitivo. Ele também observou que a ativação do sistema de recompensa durante um gol contra um time rival sugere um fortalecimento da identidade social e da união grupal, efeito que fica mais intenso entre os torcedores mais fanáticos.

"Estudar o fanatismo é fundamental porque revela mecanismos neurais generalizáveis, que variam da paixão e polarização no futebol até a violência e os impactos na saúde pública em nível populacional. É importante lembrar que esses circuitos se formam na primeira infância: a qualidade do cuidado, a exposição ao estresse e o aprendizado social moldam o equilíbrio entre avaliação e controle, tornando os indivíduos mais ou menos vulneráveis ao fascínio do fanatismo", afirmou Zamorano.

O pesquisador acrescentou que a proteção e o cuidado durante a infância são as principais estratégias de prevenção para evitar formas extremas de fanatismo, seja no futebol, na religião ou na política.