Novo estudo reacende mistério dos cinturões de radiação nos gigantes de gelo do Sistema Solar
Reanálise dos dados da Voyager 2 sugere que picos de radiação em Urano podem ter origem em eventos raros de vento solar, destacando a necessidade de novas missões.
Urano e Netuno continuam entre os planetas menos explorados do Sistema Solar, e um novo estudo sugere que a Voyager 2 pode ter registrado um pico temporário de radiação causado por um raro evento de vento solar — evidência que reforça a urgência de uma missão dedicada aos gigantes de gelo.
Apenas o breve sobrevoo da Voyager 2 forneceu dados diretos sobre Urano e Netuno, já que a enorme distância desses planetas em relação à Terra dificultou o envio de novas missões. Assim, muitos enigmas permanecem desde os anos 1980.
Entre as descobertas mais intrigantes da Voyager 2 está o registro de um cinturão de elétrons em Urano com níveis de energia muito acima do esperado. Esse achado contrariou modelos teóricos e segue sem explicação definitiva, mesmo após décadas de estudos sobre exoplanetas semelhantes.
Agora, pesquisadores do Southwest Research Institute propõem uma nova interpretação: a sonda pode ter passado pelo sistema uraniano durante um evento transitório de vento solar. Esse tipo de estrutura, conhecida como "região de interação corrotativa", também afeta a Terra e pode modificar drasticamente ambientes de radiação.
A equipe liderada pelo Dr. Robert C. Allen reanalisou os dados da Voyager 2, comparando-os com registros modernos dos cinturões terrestres. Observações em 2019 mostraram que ondas de alta frequência podem não apenas dispersar elétrons, mas também acelerá-los a energias extremas.
Essa comparação sugere que Urano pode ter passado por um processo semelhante exatamente durante o sobrevoo da Voyager 2. Em vez de um cinturão naturalmente intenso, a sonda pode ter detectado um pico temporário causado pela interação entre o vento solar e a magnetosfera do planeta.
Se confirmada, a hipótese pode redefinir a compreensão do ambiente de radiação de Urano e levanta novas questões sobre a física dessas ondas intensas, sua origem e frequência em sistemas planetários distantes. O estudo também destaca a importância de medições contínuas, e não apenas instantâneas, para interpretar fenômenos tão complexos.
Para os cientistas, o trabalho reforça o argumento pela necessidade urgente de uma nova missão a Urano — fundamental não só para desvendar esse mistério, mas também para ampliar o conhecimento sobre Netuno e os demais gigantes de gelo, que podem guardar pistas essenciais sobre a formação de sistemas planetários.
Por Sputnik Brasil