Corinthians recebe aprovação da Caixa para substituir Reag na gestão contábil de sua arena
Após investigação e liquidação da gestora, clube avança para nomear novo administrador do fundo da Neo Química Arena
A gestora Reag, investigada na Operação Carbono Oculto e liquidada pelo Banco Central na última quinta-feira (15), será substituída por uma nova empresa na administração do fundo responsável pela gestão contábil da Neo Química Arena, estádio do Corinthians. Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira, o clube informou que já articulava a troca desde agosto, antes da liquidação, ao identificar riscos regulatórios relacionados à atuação da administradora.
O acordo entre Corinthians e Caixa Econômica Federal, firmado em 2022 durante a gestão do ex-presidente Duílio Monteiro Alves, estabeleceu a entrada da Reag na estrutura do Fundo Arena. A gestora financeira tinha como responsabilidade garantir o fluxo de repasse dos valores arrecadados pelo clube para o banco estatal. A dívida referente à construção do estádio em Itaquera é de aproximadamente R$ 655 milhões.
Segundo o comunicado, o rompimento com a Reag ainda não havia ocorrido devido a trâmites burocráticos junto à Caixa. Após cumprir um rigoroso processo de compliance e diligência, a diretoria alvinegra apresentou à Caixa os potenciais novos administradores e gestores, etapa necessária para a aprovação da substituição na gestão do fundo. Os nomes dos indicados não foram divulgados.
"Recentemente, a Caixa Econômica Federal concluiu a análise dos nomes apresentados pelo Clube. Com a finalização dessa fase, o Sport Club Corinthians Paulista formalizará junto à REAG a solicitação de transferência da administração para o novo gestor administrativo, bem como para o novo gestor dos fundos operacionais", afirma trecho da nota oficial.
"Efetivada a transferência e após a necessária aprovação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), os trâmites regulatórios serão integralmente concluídos. O Sport Club Corinthians Paulista encara mais esta etapa convicto de que cumpriu todos os ritos exigidos, preservando o compliance, a boa governança e os melhores interesses institucionais do Clube e da Neo Química Arena."
No dia 6 de janeiro, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou à Polícia Federal (PF) a abertura de inquérito para investigar a contratação da Reag para administrar o fundo responsável pela gestão contábil do estádio do Corinthians em Itaquera.
O pedido foi feito pelo promotor Cássio Roberto Conserino, também responsável pela investigação sobre o uso indevido de cartões corporativos por ex-dirigentes do clube.
A Reag tornou-se alvo da PF durante a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público Federal. A gestora é suspeita de criar fundos de investimento e adquirir empresas com o objetivo de blindar o patrimônio do Primeiro Comando da Capital (PCC), o que a empresa nega.
Posteriormente, a Reag também teve seu nome envolvido em fraudes no Banco Master, motivo pelo qual o Banco Central decretou sua liquidação. Após a divulgação dos casos, o Corinthians iniciou negociações para substituir a administradora da Arena.
Segundo ofício encaminhado à Superintendência da PF, Conserino argumenta que a Reag passou a administrar fluxos financeiros de alto valor e baixa rastreabilidade ao assumir a gestão do estádio. Por isso, o promotor solicitou que a polícia apurasse as circunstâncias e a regularidade da inclusão da empresa no acordo, assim como sua atuação após a renegociação contratual com a Caixa.
"A concentração de vultosos fluxos financeiros em fundo gerido por empresa sob investigação criminal configura elemento indiciário suficiente e justa causa para investigação formal, com o objetivo de verificar eventual utilização da estrutura financeira como instrumento de ocultação, dissimulação de origem ou integração de valores ilícitos ao sistema econômico formal", destaca trecho do ofício.