Intermediária retira processo que expôs esquema do camarote no MorumBis
Ação judicial de empresária revelou uso irregular de camarote e pressões internas no São Paulo; caso segue na Polícia Civil.
O processo movido por Rita de Cassia Adriana Prado, responsável por revelar o uso irregular de um camarote do MorumBis, foi retirado da Justiça. A empresária havia sido pressionada por Mara Casares e Douglas Schwartzmann, então diretores do São Paulo, para desistir da ação logo após sua abertura.
A ação tramitava na 3ª Vara Cível do Foro Regional IX, na Vila Prudente. Com a desistência, a juíza Cristiane Sampaio Alves Mascari Bonilha não irá julgar o mérito do caso. A retirada, no entanto, não interfere na investigação conduzida pela Polícia Civil. Procurada pelo Estadão, a defesa de Adriana não se manifestou sobre o motivo da desistência até o momento; caso haja resposta, a matéria será atualizada.
Adriana, por meio de sua empresa The Guardian Entretenimento, processava Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda. Segundo a acusação, Carolina teria tomado de Adriana um envelope com ingressos para o camarote 3A no show de Shakira, bilhetes que renderiam R$ 132 mil, conforme áudio da empresária.
Adriana atuava como intermediária em negociações com Mara Casares, envolvendo espaços em eventos do São Paulo e shows no MorumBis. A abertura do processo motivou pressões de Mara e Schwartzmann para a retirada da ação, com o objetivo de evitar a exposição do caso, classificado por eles como "clandestino".
"Seu advogado sabe que é tudo clandestino? Quer que eu explique para ele como você obteve esse negócio? Você quer que eu ligue para o seu advogado e explique que você não tinha direito de comercializar aquilo? Porque você sabe que não tinha. Eu, você e a Mara sabemos", afirmou Schwartzmann em áudio revelado pelo ge.
"Coisa errada? Errou, tem de comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem", completou.
As revelações levaram à abertura de inquérito na Polícia Civil e ao afastamento de Mara e Schwartzmann, que não devem retornar à diretoria sob a gestão de Harry Massis Júnior, sucessor de Júlio Casares, que renunciou após pedido de impeachment baseado no caso. O afastamento provisório de Casares foi aprovado por 188 votos a 45.
Na véspera da votação no Conselho Deliberativo, veio à tona que Adriana e seu marido, Ton Santana, tentaram negociar a venda do áudio. Um ex-conselheiro opositor de Casares confirmou o pagamento de R$ 200 mil pela gravação, mas nega ter recebido ou vazado o conteúdo. Os cheques, segundo ele, não foram descontados.
A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Mara, Schwartzmann e Adriana, apreendendo R$ 28 mil em espécie e documentos que detalham o esquema.
Investigações apontam que a parceria entre Adriana e Mara ia além do camarote 3A no show de Shakira, abrangendo negócios desde 2023 e, segundo fontes, até mesmo em 2022.
A defesa de Schwartzmann afirma que o ex-diretor está à disposição para esclarecimentos desde o início da apuração, assim como os representantes de Mara. Ambos sustentam que a lisura de seus atos será comprovada. Os advogados de Adriana garantem que ela sempre colaborou e permanece à disposição das investigações.