Tumbas da Idade do Bronze revelam artefatos de luxo importados em Chipre
Descoberta em Lárnaca destaca riqueza, rotas comerciais e laços familiares da antiga Dromolaxia Vyzakia
Dois túmulos de câmara datados da Idade do Bronze, repletos de bens de luxo importados, foram descobertos por arqueólogos em Lárnaca, na costa sul de Chipre. Os achados evidenciam as relações das famílias de elite locais com extensas redes comerciais do Mediterrâneo.
A antiga cidade de Dromolaxia Vyzakia, também chamada de Hala Sultan Tekke, foi fundada por volta de 1650 a.C., às margens do lago salgado de Lárnaca, então conectado ao mar Mediterrâneo.
A cidade prosperou como produtora de cobre, alcançando seu auge no século XII a.C., quando chegou a abrigar cerca de 11 mil habitantes.
Durante a temporada de escavações de 2025, os pesquisadores se concentraram em uma área do cemitério extraurbano do sítio arqueológico. Foram identificados dois túmulos de câmara do século XIV a.C. Apesar do desabamento dos tetos na Antiguidade, que danificou parte dos bens funerários, muitos objetos permaneceram preservados, evidenciando a amplitude das trocas comerciais de Dromolaxia Vyzakia.
Entre os artefatos encontrados estão cerâmicas locais de acabamento refinado, ferramentas e adornos pessoais. Destacam-se ainda cerâmicas de luxo provenientes da Grécia continental, de Creta e de outras ilhas do mar Egeu, além de peças egípcias em marfim e vasos de alabastro de alta qualidade.
Outros itens importados incluem lápis-lazúli, uma pedra semipreciosa azul-escura do Afeganistão, cornalina marrom-avermelhada da Índia e âmbar oriundo da região do Báltico.
Esses objetos exóticos provavelmente chegaram a Chipre por rotas comerciais complexas, envolvendo culturas intermediárias como a micênica, a egípcia e a mesopotâmica.
Os túmulos abrigavam restos humanos de várias gerações, acumulados ao longo de cerca de um século de uso. Ossos mais antigos foram cuidadosamente deslocados para acomodar novos sepultamentos, sugerindo que se tratavam de túmulos familiares. Os restos estão sendo analisados por DNA para investigar possíveis laços de parentesco entre os indivíduos sepultados.