Rybakina consolida ascensão com título na Austrália, 3º posto no ranking e apoio do Cazaquistão
Tenista nascida na Rússia conquista Australian Open, retorna ao Top 3 do mundo e destaca investimento esportivo do Cazaquistão.
“Obrigada, Cazaquistão, sempre sinto o seu apoio.” O emocionado agradecimento de Elena Rybakina ao país que a acolheu foi feito com o troféu Daphne Akhurst Memorial Cup nas mãos, diante da torcida que lotava a Rod Laver Arena, em Melbourne, após a vitória sobre Aryna Sabalenka, número 1 do mundo, na final do Australian Open, neste sábado.
A conquista levou a tenista de 26 anos, nascida em Moscou e naturalizada cazaque, de volta ao terceiro lugar do ranking mundial. Rybakina vai superar as americanas Coco Gauff e Amanda Anisimova na lista desta segunda-feira, igualando sua melhor posição na WTA. O resultado também evidencia a maturidade adquirida após enfrentar polêmicas, lesões e problemas de saúde.
Rybakina é resultado de um projeto ambicioso do Cazaquistão para ganhar relevância no tênis em 15 anos. Bulat Utemuratov, ex-vice-ministro de Assuntos Econômicos Externos do país e atual presidente da Federação de Tênis, investiu mais de US$ 2,3 bilhões desde 2007 no desenvolvimento do esporte.
Utemuratov construiu 38 centros de tênis nas 17 regiões do país e buscou jovens talentos russos em busca de melhores condições de treinamento, incluindo Rybakina, que se juntou ao projeto em 2018. Campeã de Wimbledon em 2022, a tenista também venceu o WTA Finals de 2025 sobre Sabalenka, após garantir a última vaga no torneio, e tem superado as principais jogadoras do circuito – como Iga Swiatek, número 2 do mundo, e Jessica Pegula, sexta colocada, no caminho até o título.
“É difícil encontrar palavras agora”, disse Rybakina durante a premiação. “Quero parabenizar a Aryna pelos resultados incríveis dos últimos dois anos. Sei que é difícil agora, mas espero que possamos disputar muitas outras finais juntas”, afirmou a atleta, que se destacou pelos saques potentes e pela frieza ao virar o set decisivo por 6/4, após estar perdendo por 0/3.
Bulat Utemuratov acompanhou a conquista de sua pupila no banco de reservas, ao lado do treinador croata Stefano Vukov. Vukov chegou a ser suspenso pela WTA e, há um ano, teve sua credencial negada para o Australian Open por suposto abuso psicológico – episódio que resultou em um rompimento de cinco meses, mas a parceria foi retomada.
“Acredito que temos trabalhado muito como equipe, e eles sempre me apoiaram. Nos momentos em que não estava tão positiva, eles me ajudaram”, declarou Rybakina. “Todos passamos por altos e baixos, mas sempre acreditei que poderia retornar ao meu melhor nível”, concluiu, deixando o passado para trás e focada em novos títulos de Grand Slam e na busca pela liderança do ranking.