ÁRBITRO SOB ANÁLISE

CBF esclarece participação de Bassols em revisão do VAR na expulsão de Carrascal

Entidade reforça que atuação do observador do VAR seguiu protocolo e não configurou interferência externa no lance polêmico da Supercopa Rei

Publicado em 02/02/2026 às 18:05
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Atuando como observador do VAR na Supercopa Rei, Péricles Bassols precisou intervir durante a revisão conduzida por Rodolpho Toski Marques, que resultou na expulsão de Carrascal, do Flamengo, antes do reinício da partida vencida pelo Corinthians, após o intervalo.

A presença de Bassols durante o processo de análise foi questionada pelo comentarista de arbitragem Paulo Caravina, que sugeriu possível interferência externa. No entanto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) esclareceu que a atuação de Bassols está prevista para a função que ele desempenhava no jogo.

De acordo com o protocolo, o observador do VAR não pode "estar envolvido em qualquer tomada de decisões, com exceção de impedir uma infração do protocolo". A CBF afirmou que Bassols "limitou-se a reforçar que o procedimento adotado estava em conformidade com as diretrizes do VAR, sem qualquer recomendação sobre a decisão a ser tomada pelo árbitro".

"Ressalte-se que orientar sobre o procedimento é da natureza da função do Observador de VAR, e não configura interferência externa", completou a entidade.

O QUE ACONTECEU?

No fim do primeiro tempo, Carrascal agrediu Breno Bidon em um lance não percebido pelo árbitro de campo, Rafael Klein. A primeira etapa foi encerrada normalmente, e os times seguiram para os vestiários.

A checagem do VAR foi concluída enquanto os jogadores já estavam no intervalo. A intervenção do VAR para casos de conduta violenta é permitida a qualquer momento da partida, inclusive após o reinício do jogo.

"No lance em questão, ao término do primeiro tempo, a varredura realizada pelo árbitro assistente de vídeo, com base nas imagens das 34 câmeras disponíveis, não identificou de forma conclusiva uma possível conduta violenta. A imagem que evidenciou o lance foi detectada apenas durante o intervalo da partida, procedimento que está expressamente amparado pelo Livro de Regras do Jogo", informou a CBF, em nota.

Na imagem da cabine do VAR, é possível ver Péricles Bassols ao lado do VAR Rodolpho Toski Marques e do assistente de VAR, Emerson de Almeida Ferreira. Bassols justificou a revisão mesmo após o término do primeiro tempo: "Conduta violenta pode ser revisada a qualquer momento", frase também confirmada por Toski Marques.

"Eu vou te mostrar o ponto de contato, Klein, e depois em velocidade em 30%, você vai ver a mão fechada, fora da disputa de bola, uma conduta violenta atingindo o queixo do adversário", explicou o árbitro de vídeo a Rafael Klein.

O árbitro de campo respondeu: "Ok. Eu vejo o jogador fora da disputa da bola fazendo o movimento de soco, com a mão fechada, em direção a uma parte sensível do seu adversário, que é o rosto. A minha decisão é cartão vermelho para o número 15 (Carrascal) por conduta violenta, ok?".

Em comunicado anterior, divulgado ainda no domingo, a CBF já havia detalhado o procedimento. A entidade informou também que houve uma queda de energia elétrica em setores do estádio, inclusive na cabine do VAR, durante o intervalo do jogo. "O sistema de contingência (no-break) manteve a operação do VAR por aproximadamente 15 minutos. Como a energia na região não foi restabelecida prontamente, a partida transcorreu sem o uso do VAR entre os 15 e os 34 minutos do segundo tempo", diz a nota.

O Corinthians abriu o placar no primeiro tempo, com Gabriel Paulista, de cabeça. No minuto anterior ao período em que o VAR esteve fora do ar, o time alvinegro ampliou com Memphis Depay, mas a arbitragem assinalou impedimento. Yuri Alberto marcou nos acréscimos e garantiu a vitória por 2 a 0.