CRISE FINANCEIRA

Palmeiras rescinde contrato com a Fictor após grupo pedir recuperação judicial

Clube rompe patrocínio devido a inadimplência e busca medidas legais para receber valores devidos pela empresa

Publicado em 02/02/2026 às 20:30
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Palmeiras anunciou nesta segunda-feira a rescisão do contrato de patrocínio com o Grupo Fictor, que recentemente entrou com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O clube é um dos muitos credores da empresa, que acumula dívidas de R$ 4,2 bilhões.

O acordo previa que a Fictor repassasse anualmente R$ 25 milhões ao Palmeiras pela exposição da marca nas costas do time principal masculino e feminino, além da propriedade máster e das costas dos uniformes das categorias de base. O valor poderia chegar a R$ 30 milhões, dependendo do cumprimento de metas estabelecidas em contrato.

Com duração de três anos, o contrato também englobava os naming rights de um torneio sub-17 organizado pelo clube, a Copa Fictor, conquistada pelo Palmeiras na última quinta-feira.

No entanto, a Fictor declarou à Justiça uma dívida de R$ 2,6 milhões com o Palmeiras, referente à parcela de patrocínio mais recente e bonificações por resultados esportivos, pagamentos que deveriam ter sido feitos em janeiro.

Diante do inadimplemento contratual e do pedido de recuperação judicial, o Palmeiras optou por rescindir o acordo, respaldado pelas cláusulas previstas no contrato. O clube informou ainda que estuda as medidas legais cabíveis para reaver os valores devidos pela empresa.

O Grupo Fictor, que ganhou notoriedade em novembro passado ao participar de uma operação de compra do Banco Master um dia antes da liquidação da instituição, também deve à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), outra entidade esportiva patrocinada pelo grupo. O investimento previsto era de R$ 21 milhões até março de 2029, mas a dívida já soma R$ 500 mil.

O pedido de proteção contra credores inclui a Fictor Holding e a Fictor Invest. Na semana passada, a desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, do TJ-SP, determinou o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões da Fictor.

Em comunicado, o Grupo Fictor afirmou que pretende quitar todas as dívidas sem deságio, ou seja, sem redução dos valores, apenas negociando prazos para pagamento. "A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável", informou a empresa.

O grupo solicitou a suspensão e o bloqueio de dívidas por 180 dias para a holding e a Fictor Invest. As demais subsidiárias não foram incluídas no pedido e devem seguir operando normalmente.