Quem é Nicole Silveira? Brasileira se desafia no skeleton por novo recorde para América Latina
Gaúcha faz história no skeleton, busca superar marca em Milão e Cortina e inspira nova geração de atletas de inverno no Brasil.
Nicole Silveira desafia o favoritismo europeu no skeleton durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão e Cortina, buscando uma medalha inédita para o Brasil e a América Latina. Ao longo de quatro descidas, entre esta sexta-feira e sábado, a atleta tenta alcançar o melhor resultado latino-americano da história na modalidade.
Aos 31 anos, a gaúcha que se mudou para o Canadá aos sete, já detém o melhor resultado de uma piloto latino-americana em Olimpíadas, com o 13º lugar em Pequim-2022. Superar essa marca seria, para ela, um feito significativo.
"Como uma nação pequena no esporte, estamos sempre competindo com países que investem milhões. Fica mais difícil na Olimpíada, mas o potencial já alcançado é motivador", afirma Nicole. "Estou mais confiante, sabendo do que sou capaz. Encaro esta Olimpíada como um bônus", completa.
Com três bronzes em etapas da Copa do Mundo e um quarto lugar no Mundial de 2025, Nicole chega com boas credenciais, embora o favoritismo ainda seja das atletas europeias.
Entre as principais concorrentes estão a belga Kim Meylemans, atual campeã europeia e vencedora da Copa do Mundo, que também é esposa de Nicole. As duas se casaram em agosto do ano passado e, em janeiro, dividiram o pódio na etapa de St. Moritz, na Suíça, com a belga em primeiro e a brasileira em terceiro.
Outras favoritas incluem a holandesa Kimberly Bos e as alemãs Jaqueline Pfeifer e Hannah Heise. A americana Mystic Ro, vice-campeã mundial no ano passado, também é destaque.
Estar entre esses nomes, mesmo sem favoritismo, já representa um grande avanço para Nicole, que há oito anos sequer conhecia o skeleton.
Enfermeira e ex-fisiculturista
Fanática por esportes, Nicole competiu como fisiculturista no Canadá até 2017, ano em que foi apresentada ao skeleton. Desde então, equilibra a carreira esportiva com o trabalho como enfermeira, tendo atuado na linha de frente contra a Covid-19.
Mesmo com o sucesso no skeleton, Nicole mantém uma rotina sazonal no hospital pediátrico de Calgary, ajustando sua agenda para focar na preparação olímpica.
Sua entrada nos esportes de inverno foi pelo bobsled, após convite da seleção brasileira, modalidade que costuma buscar atletas de força e velocidade. Posteriormente, migrou para o skeleton.
No skeleton, os atletas descem de bruços em um trenó pequeno por uma pista sinuosa de gelo, com a cabeça à frente. Na Olimpíada, são quatro descidas, e a soma dos tempos define a classificação. Nicole destaca as limitações de treino, já que só é possível praticar no trenó durante a temporada, de outubro a fevereiro. Com mais experiência desde Pequim-2022, ela chega mais preparada para o novo desafio.
"A largada é importante, mas o diferencial do skeleton é o tempo de experiência. Só conseguimos descer no trenó durante a temporada, então cada ano conta muito. Chego com quatro anos a mais de vivência, participando de mais Copas do Mundo e lidando melhor com a pressão e as câmeras", explica.
Além da evolução esportiva, Nicole contribuiu para tornar o skeleton mais conhecido no Brasil. "Só tenho a agradecer. A torcida tem sido incrível e o conhecimento sobre o skeleton cresceu muito desde 2022. Esta Olimpíada já é de outro nível", conclui.