Justiça de SP encerra ação do irmão de Gabriela Anelli contra empresas e cita o Palmeiras
Juiz isenta empresas gestoras do Allianz Parque e aponta clube como possível responsável em processo sobre morte de torcedora.
A Justiça de São Paulo extinguiu o processo movido por Felipe Anelli Marchiano contra as empresas ligadas à administração do Allianz Parque. Ele buscava uma indenização de R$ 1,5 milhão por danos morais em razão da morte de sua irmã, Gabriela Anelli, ocorrida em julho de 2023, no entorno do estádio, antes de um jogo entre Palmeiras e Flamengo.
Na decisão, o juiz Gustavo Henrique Bretas Marzagão, da 35ª Vara Cível, afirmou que Real Arenas e WTorre não organizam nem obtêm ganhos com jogos no Allianz Parque, ainda que a Real Arenas explore o estádio em outros tipos de eventos.
Segundo o magistrado, a responsabilidade pelo ocorrido seria do Palmeiras. O juiz destacou que Marchiano chegou a mover ação contra o clube, mas posteriormente desistiu do processo.
"No caso em exame, a aplicação da teoria da aparência faria com que a legitimidade passiva recaísse justamente sobre o Palmeiras, na medida em que, aos olhos do público em geral, o evento ocorreu no estádio identificado como sede do Palmeiras, clube amplamente reconhecido como mandante e organizador da partida, não tendo o autor sequer imputado à Real Arenas conduta ou ato concreto que lhe atribuísse a aparência de promotora ou beneficiária do evento específico", escreveu Bretas Marzagão.
A ação de Marchiano alegava falha no serviço de segurança como causa da morte de Gabriela. Já representantes das empresas argumentaram que não participaram da organização do jogo e atribuíram a tragédia a "ato criminoso de terceiro".
Em maio de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou Jonathan Messias Santos da Silva a 14 anos de prisão. Ele foi identificado como autor do ato que resultou na morte da jovem de 23 anos, atingida por estilhaços de uma garrafa de vidro lançada na Rua Antônio Padre Tomás.
Palmeiras pode responder por morte de torcedora
Outro processo relacionado ao caso é movido por Marchiano, que pede indenização de R$ 1 milhão por danos morais ao governo do Estado de São Paulo. A Fazenda Pública solicitou à Justiça que o Palmeiras também seja responsabilizado na ação.
O TJ-SP acatou o pedido e incluiu o clube como parte requerida no processo. Procurado pelo Estadão, o Palmeiras informou que não irá se manifestar sobre o caso.
O Estado argumenta que o Palmeiras seria responsável pela morte de Gabriela, por ser o organizador da partida. Mesmo com a atuação de agentes públicos na segurança, o pedido indica que o clube teria responsabilidade sobre o evento.
Marchiano havia processado o Palmeiras em 2024, solicitando R$ 1 milhão por danos morais, mas desistiu da ação após relatar ter recebido ameaças de morte.