Filho de herói argentino da Copa de 86 vive ascensão no tênis e relata ameaças de apostadores
Román Burruchaga, filho do autor do gol do título da Argentina em 1986, avança no circuito e denuncia ameaças sofridas em torneios.
Román Burruchaga, tenista argentino de 24 anos, segue em ascensão no circuito profissional. No Rio Open, foi eliminado nas duplas ao lado do italiano Andrea Pellegrini, após derrota para os brasileiros João Fonseca e Marcelo Melo. Em simples, porém, avançou às oitavas de final ao superar o compatriota Camilo Ugo Carabelli, mantendo o bom momento das últimas temporadas. Nesta quarta-feira, enfrenta o checo Vit Kopriva.
O sobrenome Burruchaga é familiar para quem acompanhou o futebol nos anos 1980. Jorge Burruchaga, pai de Román, foi o autor do gol que garantiu o título da Copa do Mundo de 1986 para a Argentina, em vitória por 3 a 2 sobre a Alemanha Ocidental, após assistência de Diego Maradona.
Lenda no futebol argentino, Jorge também foi decisivo na final da Libertadores de 1984, quando marcou o gol da vitória do Independiente sobre o Grêmio, em Porto Alegre. O empate no jogo de volta garantiu o título ao clube argentino.
Román Burruchaga ainda não repetiu o sucesso do pai, mas vive seu melhor momento no tênis. Após terminar 2023 na 105ª posição do ranking, a mais alta da carreira, ele deve entrar pela primeira vez no top 100 graças ao desempenho no Rio Open, onde aparece virtualmente na 95ª colocação.
“Minha primeira vitória no Rio. Venho de uma família de esportistas, do lado do meu pai e do meu irmão, que também joga futebol. Mas eu sigo minha carreira no tênis e meu pai ficará muito feliz agora”, comemorou Román.
Seu maior título veio em 2023, no Challenger 125 da Costa do Sauípe, no Brasil, que voltou a receber torneios após 14 anos. Ele quase repetiu o feito no Challenger de Rosário, na Argentina, mas perdeu a final para Ugo Carabelli, adversário que superou agora no Rio Open.
Apesar das conquistas, Román relatou ter sido alvo de ameaças de apostadores durante a competição em Rosário. Desde antes das semifinais, contra o taiwanês Chin-Hsin Tseng, recebeu mensagens intimidatórias para que perdesse partidas de propósito.
“Infelizmente, essas coisas acontecem e já nos acostumamos, mas não deveria ser assim. O que aconteceu foi mais chocante e anormal. Espero que uma solução seja encontrada”, relatou o tenista.
Segundo Román, as ameaças continham detalhes pessoais, o que tornou a situação ainda mais grave. “Quando isso aconteceu, registramos queixa para cancelar as apostas e garantir nossa segurança. Estive sob proteção policial durante a final, fui à delegacia e conversei com o promotor, situações que nunca tinha vivido antes”, acrescentou.
O caso repercutiu na Argentina e foi abordado por outros atletas, como Francisco Cerúndolo, atual número 19 do ranking da ATP e melhor sul-americano na lista. Cerúndolo também disputa o Rio Open e avançou às quartas de final após vitória sobre Mariano Navone.