AUDITORIA INDEPENDENTE

Gestão Casares não esclarece destino de R$ 7 milhões em saques na presidência do São Paulo

Balanço financeiro revela que parte significativa dos saques feitos durante gestão de Júlio Casares segue sem justificativa, segundo auditoria.

Publicado em 26/03/2026 às 10:25
Julio Casares Reprodução / Instagram

O balanço financeiro de São Paulo, apresentado nesta quarta-feira aos conselheiros, reacendeu o debate sobre os saques realizados pela presidência durante a gestão de Júlio Casares. Dos R$ 11 milhões sacados, que já foram despertados suspeitas da Polícia Civil, apenas R$ 4 milhões têm justificativa declarada. A informação foi publicada inicialmente pelo UOL e confirmada pelo Estadão. Até o momento, os representantes de Casares não responderam aos questionamentos; caso haja manifestação, o texto será atualizado.

Segundo o clube, o montante justificado refere-se a gastos com arbitragem e pagamento de “bicho” a jogadores, conforme já havia sido divulgado pela defesa de Júlio Casares em janeiro, quando as investigações chegaram ao público.

No entanto, a auditoria independente das contas aponta cerca de R$ 7 milhões retirados do chamado “fundo promocional da presidência” sem comprovação da especificamente. A análise externa do balanço foi conduzida pela empresa RSM.

Esses saques também são relatados em relatório elaborado por Paulo Affonseca de Barros Faria Neto, membro do Conselho Fiscal de São Paulo, que recomendou a exclusão das contas referentes ao exercício de 2025.

Como justificativa, Faria Neto menciona a observação feita por auditorias independentes sobre os R$ 7 milhões não discriminados, ressaltando que essa ressalva contraria o discurso da gestão Casares sobre a saúde financeira do clube, que gerou faturamento recorde de R$ 1 bilhão.

Há conselheiros que já defenderam a reprovação das contas de 2025 por considerarem uma "herança" da gestão Casares. Por outro lado, a administração atual, comandada por Harry Massis Júnior, busca a aprovação, argumentando que a exclusão poderia prejudicar o São Paulo no mercado, dificultando negociações de patrocínios e empréstimos. Na primeira semana de abril, em nova reunião, os conselheiros votarão dois pedidos de crédito do clube.

Não está descartada uma aprovação com ressalvas, diante dos apontamentos das auditorias independentes e do relatório do Conselho Fiscal. A votação das contas segue até às 17h desta quinta-feira, quando o resultado deverá ser divulgado.