ESPORTES

COI veta participação de mulheres trans em competições femininas oficiais

Entidade estabelece que apenas mulheres biológicas poderão disputar jogos olímpicos femininos a partir de 2028

Publicado em 26/03/2026 às 17:32
COI restringe participação de mulheres trans em competições femininas a partir dos Jogos Olímpicos de 2028.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) determinou que somente “mulheres biológicas” poderão competir em eventos femininos, individuais ou coletivos, organizados pela entidade responsável pelos Jogos Olímpicos. A medida passa a valer para as Olimpíadas de 2028, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

De acordo com o COI, a nova política não se aplica a programas de esporte amador ou recreativo , mas impede que atletas transgêneros disputem categorias femininas em competições oficiais.

Para o COI, os atletas trans poderão competir nas categorias masculinas, inclusive em vagas reservadas para homens nas categorias mistas, ou em qualquer categoria aberta, além de esportes e eventos que não separam atletas por sexo.

COI é animado a desistir de testes de gênero para atletas mulheres.

"Uma política que anunciamos é baseada na ciência e foi orientada por especialistas médicos. Nos Jogos Olímpicos, até as menores margens podem ser a diferença entre a vitória e a derrota. Portanto, é absolutamente claro que não seria justo para homens biológicos competirem na categoria feminina. Além disso, em alguns esportes, simplesmente não seria seguro", explicou a presidente do COI, Kirsty Coventry.

Vantagem de desempenho

Segundo o comunicado, o sexo masculino proporciona vantagem de desempenho em esportes e eventos que depende de força, potência e resistência. “Para garantir a equidade e proteger a segurança, principalmente em esportes de contato, a elegibilidade deve, portanto, ser baseada no sexo biológico”, afirma a entidade.

A decisão foi tomada após consultas a 1,1 mil atletas e publicada com grupos de trabalho compostos por diretores médicos de federações esportivas internacionais e especialistas em ciência do esporte, endocrinologia, medicina transgênero, medicina esportiva, saúde da mulher, ética e direito, conforme comunicado do COI.

Testes de sexagem

Uma nova regra do COI exigirá que todos os atletas realizem testes de sexagem, por meio de saliva ou amostra sanguínea, para identificar o gene SRY – responsável pelo desenvolvimento do sexo masculino no início da gestação em mamíferos, incluindo seres humanos.

O teste do gene SRY já foi adotado em algumas categorias femininas de alta competitividade.

O COI recomenda que todas as federações esportivas internacionais e nacionais, associações continentais, conselhos esportivos e órgãos dirigentes de esporte adotem a política anunciada.

O Comitê Olímpico Internacional foi fundado em 1894 para restaurar os Jogos Olímpicos da Antiguidade, promovendo uma competição mundial a cada quatro anos. Entre suas missões, o COI destaca o princípio de “agir contra qualquer forma de discriminação que afeta o movimento olímpico”.