DISPUTA JUDICIAL INTERNACIONAL

Botafogo aciona Lyon na Justiça e cobra dívida superior a R$ 745 milhões

Clube carioca busca ressarcimento de valores emprestados ao Lyon e alega impacto financeiro no planejamento esportivo.

Publicado em 04/04/2026 às 19:45
Botafogo aciona Lyon na Justiça e cobra dívida superior a R$ 745 milhões Vítor Silva/ BFR

O Botafogo ingressou com uma ação judicial contra o Lyon, na Justiça do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (7), cobrando uma dívida que ultrapassa R$ 745 milhões. O clube francês integra a Eagle Football, rede multiclubes liderada pelo empresário americano John Textor, que também é dono da SAF do Botafogo.

Em nota oficial, o Botafogo explicou que a medida visa garantir o ressarcimento de valores devidos pelo Lyon, proteger o patrimônio do clube e fortalecer o projeto esportivo da equipe alvinegra. A diretoria afirmou que tomará todas as providências judiciais necessárias para recuperar o montante.

Segundo o comunicado, o Botafogo realizou sucessivos empréstimos ao Lyon, adquirido em 2022 pela Eagle Football, quando o clube francês se encontrava em "situação de insolvência". O acordo previa o reembolso dos valores em condições previamente estabelecidas entre as partes.

"Posteriormente, em meio a conflitos internos entre sócios do Grupo Eagle, a nova presidente do Olympique Lyonnais rompeu unilateralmente o acordo de colaboração. Apesar de ter se beneficiado dos recursos recebidos, o clube francês deixou de cumprir as obrigações assumidas, recusando-se a efetuar o pagamento da dívida aos clubes do Grupo Eagle: R$ 745 milhões ao Botafogo e outros 12 milhões de euros ao RWDM Brussels", diz trecho da nota.

O Botafogo destaca ainda que a inadimplência do Lyon gerou impactos diretos em sua operação, comprometendo o planejamento financeiro e dificultando a renovação e contratação de atletas. "Como consequência, o clube foi, inclusive, alvo da aplicação de um transferban pela Fifa no final de 2025", aponta o comunicado.

John Textor adotou o modelo de caixa único entre os clubes da Eagle Football como estratégia competitiva. Isso permitiu ao Botafogo realizar contratações de grande porte, como o atacante Luiz Henrique (hoje no Zenit) e o argentino Thiago Almada (atualmente no Atlético de Madrid). Com esse investimento, o clube carioca montou um elenco competitivo, conquistando a Libertadores e o Brasileirão em 2024.

Por outro lado, o jornal francês L'Équipe revelou que o Lyon foi surpreendido por cobranças referentes a "transferências fantasmas" de jogadores que atuaram no Botafogo, o que motivou uma investigação interna. O clube francês recebeu cobranças da empresa de investimentos "MCCP Investment Partners", que antecipou receitas relativas à negociação de cinco jogadores: Igor Jesus, Luiz Henrique, Savarino, Thiago Almada e Jair Cunha – nenhum deles, exceto Almada, chegou a ser inscrito no elenco do Lyon.

Essas transferências não foram registradas pela Liga Profissional de Futebol da França. Com as negociações, a "dívida declarada" do Lyon alcançou cerca de 120 milhões de euros.

Textor também enfrentou desafios políticos e financeiros na França. O Lyon chegou a ser rebaixado administrativamente por descumprir regulamentos financeiros da Ligue 1, levando o empresário americano a renunciar ao comando do clube após disputas com acionistas. Paralelamente, os fundos de investimento Ares Management e Iconic Sports – que financiaram a compra do clube francês, avaliada em US$ 940 milhões (R$ 5,2 bilhões) – tentaram afastar Textor do controle da Eagle Football devido à inadimplência.

No Brasil, Textor enfrenta ainda disputas com o clube associativo do Botafogo, que trava uma batalha judicial contra a gestão da SAF por suposta administração temerária. A Justiça mantém Textor à frente do futebol alvinegro, porém com restrições. O balanço da SAF deverá apontar uma dívida de R$ 2,7 bilhões.