EUA

Atiradora de igreja em Minneapolis era fã de assassinos famosos

Publicado em 29/08/2025 às 08:24
Reprodução

A atiradora que matou duas crianças que participavam de uma missa na igreja da Escola Católica da Anunciação, em Minneapolis, na quarta-feira, 27, tinha "fascínio" por assassinos famosos do passado, segundo investigadores, e deixou centenas de textos expressando ódio contra diferentes grupos e figuras públicas, incluindo mexicanos, negros, cristãos, judeus e o presidente dos EUA, Donald Trump.

"A atiradora expressou ódio contra quase todos os grupos imagináveis", afirmou Joe Thompson, procurador-geral do Estado de Minnesota. Segundo ele, Robin Westman - nascido Robert, mas teve nome alterado em 2020 com a aprovação da Justiça - era uma pessoa perturbada e "obcecada em matar crianças". "O ataque foi uma forma de atingir os mais vulneráveis, no momento mais vulnerável, na escola e na igreja."

O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, disse que Westman, de 23 anos, tinha "um fascínio" por chacinas. "Era um indivíduo que, como tantos outros assassinos em massa que vimos com frequência no país, tinha um fascínio perturbador por outros assassinos famosos", disse.

Premeditação

A atiradora visitou a igreja semanas atrás e fez um desenho detalhado de seu interior, de acordo com uma fonte citada pela emissora CNN. Os investigadores acreditam que Westman, provavelmente, pretendia realizar o ataque dentro da igreja, mas as portas haviam sido trancadas após o início da missa. Ela então começou atirando de fora, nos vitrais.

Segundo autoridades, Westman frequentou a Escola Católica da Anunciação. O chefe da polícia de Minneapolis, no entanto, não soube dizer por quanto tempo. Uma fotografia do anuário do colégio, obtida pela CNN, mostra que a atiradora concluiu o ensino fundamental em 2017. Sua mãe, Mary Grace Westman, trabalhou no escritório comercial da igreja por cinco anos antes de se aposentar, em 2021.

Na quarta-feira, munida de três armas compradas legalmente, Westman pareceu escolher o momento com cuidado: a primeira missa do ano letivo. Ontem, a polícia recuperou 116 munições de fuzil, uma bala de pistola e três cartuchos de espingarda no local do crime.

Motivos

O ataque de quarta-feira matou uma criança de 8 anos e outra de 10 nos bancos da igreja e feriu 17 pessoas. Westman se matou em seguida. Apesar de todas as evidências e documentos deixados pela atiradora, a polícia e o FBI ainda buscam as razões específicas que levaram Westman a cometer o crime.

Nas redes sociais, alguns ativistas conservadores se aproveitaram da identidade de gênero para retratar pessoas transgênero como violentas ou doentes mentais. A polícia, no entanto, reiterou que o extenso histórico de mídia social de Westman era um catálogo contraditório de ódio e queixas aleatórias.

Em vídeos, ela mencionava sua coleção de armas, falava de violência e exibia o que parecem ser dispositivos explosivos, rabiscados com linguagem antissemita e racista, além de ameaças a Trump. Outras imagens mostram páginas de um diário, com longos textos descrevendo ódio por si mesma, violência contra crianças e um desejo de se ferir. As entradas do diário são escritas em inglês, mas muitas vezes usando o alfabeto cirílico. Em uma delas, um adesivo exibe bandeiras LGBT+ com uma arma e o slogan "Defenda a Igualdade". A polícia disse que os vídeos foram retirados do ar.

Estigma

Em entrevista coletiva, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, um democrata, pediu ontem à população que evite usar pessoas transgênero como bodes expiatórios após a tragédia. "Tenho ouvido muito ódio direcionado à nossa comunidade trans", disse. "Qualquer um que esteja usando isso como uma oportunidade para difamar nossa comunidade trans perdeu o senso de humanidade." (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.