'O importante é diversificar mercados', diz Alckmin em assinatura de acordo Mercosul-EFTA
Expectativa é que o acordo leve a um incremento de R$ 38 bilhões no comércio internacional brasileiro. O chanceler Mauro Vieira frisa que as partes conseguiram concluir o pacto apesar das sanções comerciais e do aumento do protecionismo no mundo.
O Brasil sediou nesta terça-feira (16) a reunião para assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA, na sigla em inglês), bloco integrado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
A cerimônia ocorreu no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, e contou com a presença do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e delegações das chancelarias dos dois blocos.
O acordo cria um mercado com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 4,39 trilhões e 290 milhões de consumidores. Ele é assinado como parte do empenho de expansão da rede de acordos comerciais do Brasil e do Mercosul, que contou com a assinatura do acordo Mercosul-Singapura, em dezembro de 2023, e com conclusão do pacto Mercosul-União Europeia, em dezembro de 2024.
A expectativa do governo brasileiro é que o comércio internacional do Brasil, amparado pelos acordos comerciais, tenha um salto de 10% com a conclusão do acordo Mercosul-EFTA, um incremento de US$ 7,2 bilhões, segundo dados do ComexStat, reunidos pelo Desenvolvimento, Indústria, Comércio (MDIC).
Em discurso antes da assinatura do pacto, Vieira afirmou que as partes conseguiram concluir o acordo, após 14 rodadas de negociações "mesmo em um mundo marcado por sanções comerciais e pelo aumento do protecionismo".
"Seguimos defensores do comércio internacional, fundado em regras, como instrumento para elevar o crescimento econômico e a prosperidade de nossos povos."
O chanceler acrescentou que o acordo com a Europa contribui para a inserção dos países do Mercosul na economia mundial, "abrindo novas oportunidades para nossas empresas e gerando efeitos positivos em nossas economias".
Ele destacou que outro ponto relevante do acordo é a previsão de que os prestadores de serviços digitais só poderão utilizar os benefícios do pacto se a matriz elétrica em seus países utilizar pelo menos 67% de energia limpa.
"Trata-se de um compromisso inovador na área da sustentabilidade que reafirma nosso empenho em promover práticas positivas responsáveis. Assinar este acordo, às vésperas da COP30 de Belém, é um exemplo de que é possível e desejável integrar as dimensões ambiental, social e econômica do desenvolvimento sustentável em nossa prática comercial."
Em coletiva a jornalistas, questionado se o acordo poderia suprir as perdas com o tarifaço dos EUA, Geraldo Alckmin afirmou que abrir novos mercados é "sempre positivo".
"Claro que não é assim tão simples, mas é uma abertura de mercado importante, nós estamos falando de países com a maior renda per capta do mundo, isso ajuda. O importante é diversificação de mercados, independente da questão do tarifaço, é sempre positivo."